O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 22/11/2020
A Primavera Árabe foi uma onda revolucionária que ocorreu no Oriente Médio e no Norte da África contra os governos ditatoriais dessas regiões. A expressiva participação dos jovens, durante os protestos, estava diretamente relacionada ao engajamento propiciado pelas redes sociais. Paralelamente à situação apresentada, nem sempre o universo tecnológico é um aliado da justiça social, como é o caso do Brasil, onde, muitas vezes, a internet acaba por expressar as desigualdades presentes no território. Nesse sentido, cabe analisar os contrastes associados à utilização do ciberespaço na sociedade brasileira.
Em primeira análise, a Constituição de 1988 assegura a todos o direito à informação e à cultura. No entanto, isso não é uma realidade brasileira, visto que, de acordo com o Portal G1 de notícias, 46 milhões de brasileiros não possuem acesso à internet, isto é, à cibercultura, como é conceituado pelo sociólogo Pierre Lévy, devido ao grande potencial do mundo virtual no compartilhamento de dados e na troca de saberes. Dessa maneira, percebe-se que parte significativa da população brasileira ainda se encontra excluída do meio digital e, por conseguinte, marginalizada do processo de interconexão das informações. Assim, a “interweb” configura um novo mecanismo de desigualdade, o qual é determinante no estabelecimento de privilégios para aqueles que têm condição de usufruí-la.
Em segunda análise, tal problemática compromete o acesso à educação. A exemplo disso, pode-se citar os reflexos da pandemia do Covid-19 no Brasil, os quais mobilizaram o governo dos estados a adotar o ensino remoto. Visto isso, essa modalidade de ensino necessita dos recursos da rede não só para sua manutenção, mas também para o controle de sua qualidade. Assim sendo, é possível sustentar que a inacessibilidade da internet se mostra como uma precursora das disparidades relacionadas à difusão do conhecimento, bem como ao grau de superficialidade do saber, tendo em vista o caráter heterogêneo do uso da internet no território brasileiro.
Logo, medidas são cruciais para possibilitar o acesso a essa esfera digital. Portanto, faz-se necessário que o Governo Federal, na condição de garantidor dos direitos individuais, crie um plano de internet pública para os indivíduos que se encontram ausentes do ciberespaço. Tal ação poderá ser efetivada por meio do investimento em um pacote de banda larga a ser distribuído a nível nacional. Dessa forma, será possível estabelecer a plenitude do compartilhamento da cultura e do conhecimento, além de superar as desigualdades pertinentes ao uso das redes.