O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 17/11/2020

Na obra Utopia, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que vemos na sociedade brasileira contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o acesso à internet apresenta barreiras que dificultam a concretização dos planos de More. Portanto, analisar seriamente as raízes e os frutos deste quadro deletério é medida que se faz urgente.

Basilarmente, é crucial pontuar que a falta de atuação dos setores governamentais contribui para a perpetuação do problema, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isto não é o que ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, a conexão ao ciberespaço é mais um indicador de desigualdade e exclusão social, mostrando as disparidades entre classes e regiões. Desse modo, tem-se a necessidade de reformular essa postura estatal de forma impreterível.

Ademais, é imperativo ressaltar que os altos custos de pacotes de internet, bem como a falta de aparelhos que possibilitem a navegação da rede, atuam como promotores do problema. De acordo com dados do Centro Regional de Estudos para Desenvolvimento da Sociedade da Informação (CETIC), o acesso à internet varia de acordo com a idade, grau de escolaridade e renda, sendo que a população que possui mais alcance à rede é predominantemente de áreas urbanas, com escolaridade alta e condição financeira elevada. Partindo desse pressuposto, cerca de 46 milhões de brasileiros não possuem acesso à internet, seja pelo valor do serviço ou seja pela falta de aparelhos adequados. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, contribuindo para a manutenção dessa conjuntura perniciosa.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática em nossa sociedade. Em vista disso, com o intuito de mitigar a falta de acesso à internet da população brasileira, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital para o Ministério das Comunicações, que, por meio de parcerias com empresas telefônicas, torne o serviço mais acessível, além de facilitar a aquisição de dispositivos próprios para garantir a conexão à rede. Dessa forma, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo que a exclusão digital causa em nossa sociedade, e a coletividade estará mais próxima de alcançar a utopia de More.