O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 19/11/2020
De acordo com Émile Durkheim — sociólogo francês —, a sociedade é como um corpo biológico, que depende da atuação de todas as esferas para que haja bom funcionamento, em que visa-se a coesão social. A partir de tal ótica, observa-se a existência de patologias no Brasil, haja vista que tal coesão não ocorre devido aos empecilhos em torno do acesso à internet. No entanto, essa problemática tem como bases a letárgica atuação estatal, bem como a passividade social. Logo, é imperioso buscar ações interventivas para esse cenário hodierno.
A priori, historicamente, o Poder Público brasileiro não investe de maneira efetiva para resolver esse impasse. Assim, Zygmunt Bauman — sociólogo polonês — retrata na sua obra “Retrotopia” , que o Estado, de maneira intencional, é o principal causador de impetuosidades, visto que não há políticas públicas distributivas, conjuntos de ações para atenuar, reverter e prevenir problemas sociais, em que nota-se a ausência de oferta de serviços de internet, tal como não ocorre a capacitação para o uso das plataformas digitais pela a população menos escolarizada. Sob esse viés, por conseguinte, há a transgressão da Carta Magna, na qual não oportuniza-se o direito á informação a educação , inviabiliza-se a ação integral de tal mecanismo jurídico. Diante do exposto, exemplifica bem dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que 46 milhões de brasileiros não tem acesso à internet. A posteriori, a passividade da teia coletiva é fator catalisador dessa questão. Nesse âmbito, o “Determinismo Geográfico” induz que o meio o qual o indivíduo está inserido determina seu comportamento perante a sociedade, em que devido a desigualdade histórica deturpada favoreceu a concentração de renda e advento aos aparatos tecnológicos para as classes mais favorecidas e isso propiciou a exclusão do uso da internet para os mais pobres. Nesse viés, tem como consequência uma supressão intrinsecamente social, porque a maioria das relações contemporâneas exige o domínio dessas tecnologias e as camadas mais necessitadas são as mais afetadas. Esse panorama evidencia o círculo vicioso gerado, uma vez que essa conduta tende a ser incorporada devido à vivência em grupo.
Diante do supracitado, urge a necessidade de medidas para remodelar os fatores políticos e sociais. Em suma, o Poder Executivo sobretudo na voz do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, deve fomentar a inclusão digital as camadas mais pobres, através de centros com uma infraestrutura física e funcional para promover subsídio/barateamento do uso da internet e estabelecer banda larga nas comunidades carentes, altera-se a Lei de Diretrizes Orçamentárias — por meio de propostas de redirecionamento do setor financeiro — , a fim de superar tal celeuma. Desse modo, a teoria de Durkheim será vista atuante no corpo social.