O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 05/12/2020
Segundo Friedrich Nietzsche, “A cultura é identidade de um povo”, na qual tem-se uma interação e construção de relações entre os indivíduos. Entretanto, no Brasil, é notória a exclusão digital de pessoas economicamente e socialmente vulneráveis. Nesse viés, a internet, antes vista como abrangente, torna-se um fator de marginalização social.
Outrossim, de acordo com Michel Foucault, “O homem é um ser recente”, constantemente influenciado e inserido em uma conjuntura histórica pré-determinada. Nesse viés, o acesso a internet é corolário da segregação socio-espacial e das desigualdades sociais, intrínsecas ao Brasil desde os primórdios. Assim, no “Cortiço”, de Aluísio de Azevedo, retrata-se a marginalização dos moradores da periferia e a redução dos indivíduos a comportamentos animalescos. Por conseguinte, este processo de favelização brasileira é fruto do alto custo de vida dos centros urbanos e da disparidade de oportunidades, subordinando estes sujeitos à uma conjuntura excludente.
Mais: com o advento do ciberespaço, tem-se um encurtamento das distâncias e a fluidez de informações, no qual a internet é vista como fator de interligação entre os indivíduos. Nesse viés, é notória a influência dos mecanismos digitais no âmbito social, principalmente por intermédio das redes sociais e sites informativos. Em contrapartida, indivíduos que não possuem o acesso a internet encontram-se preteridos dessa suposta “democratização do acesso ao conhecimento”, aumentando a disparidade social. Por conseguinte, com a pandemia de covid-19, na qual escolas, universidades e demais instituições optaram pelo ensino virtual (EAD), tornou-se explícito essa desigualdade, a qual corroborou para a vulnerabilidade desses indivíduos diante desta conjuntura.
Em suma, é imprescindível a atuação do Ministério da Educação e da Tecnologia, em conjunto com o Governo Federal, na democratização do acesso a internet no Brasil, por meio da criação de redes que forneçam esse serviço, com custo acessível ou até mesmo gratuito, e que atendam a demanda da desta população marginalizada. Dessa forma, tem-se a redução das disparidades, principalmente, no âmbito virtual, possibilitando uma maior inclusão social destes indivíduos.