O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 28/12/2020

No livro Desafios da Nação, lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ao longo de toda a história brasileira, diversos entraves foram encontrados na tentativa de desenvolvimento da nação. Infelizmente, dentre eles, destaca-se, devido à sua recorrência na conjuntura atual, a questão da internet no Brasil, tendo em vista que um quarto da população não possui acesso à internet no país. Nesse contexto, a partir de uma análise desse impasse, percebe-se que ele está vinculado não só ao a ineficiência governamental, mas também e a frágil base educacional.

Em primeiro plano, a inoperância estatal é a principal responsável por essa mazela. Segundo Hannah Arendt, em ‘‘A Banalidade do Mal’’, o pior mal é aquele visto como algo cotidiano, corriqueiro. De maneira análoga, a inoperância do poder público encaixar-se nessa linha de pensamento, visto que existe uma reduzida atuação do Estado evidenciados pela falta de desenvolvimento de uma infraestrutura adequada que forneça internet para regiões de difícil acesso. Dessa forma, por não estar efetivamente comprometido com o bem-estar da população -uma vez que, encara essa realidade lamentável como uma normalidade – o Estado contribui para falta de acesso à internet e, consequentemente, restringe a cidadania dos indivíduos.

Outrossim, a lacuna educacional também contribui para esse imbróglio. De acordo com a teórica Vera Maria Candau, o modelo de escola atual não oferece propostas significativas para as exigências contemporâneas. Nesse sentido, observa-se uma insuficiência de conteúdos relativos à aproximação do indivíduo com acesso à internet desde os primeiros anos escolares, fruto de uma educação tecnicista e pouco voltada para a formação cidadã do aluno. Dessa forma, com aulas voltadas para memorização teórica, o sistema educacional vigente pouco estimula o contato do estudante com os processos tecnológicos, negligenciando, também, o seu potencial didático. Assim, com a carência de um ensino que desperte o interesse dos alunos pela internet, a escola contribui para um afastamento desses indivíduos a introdução nesse meio tecnológico.

Portanto, é necessário que o Poder Público estabeleça parcerias público privadas com empresas fornecedoras de internet, beneficiando com isenção fiscais as empresas que promoverem, por meio de relatórios semestrais, a expansão de seus serviços a preços populares para regiões não beneficiadas, de forma que os indivíduos possam efetivar o uso da internet. Ademais, o Ministério da Educação deve levar às escolas públicas e privadas disciplinas que envolvam o acesso ao conteúdo via web, que desperte o interesse dos alunos desde cedo. Logo, a aplicação dessas medidas será capaz de superar os desafios da nação inerentes à falta de acesso à rede.