O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 02/01/2021

No livro, “Jogador Número 1”, de Ernest Cline, é retratado um futuro distópico que em virtude da falta de insumos renováveis, o mundo passa a viver um “universo paralelo”, acessado por meio da realidade virtual, via dispositivos distribuídos gratuitamente pelas escolas e empresas. Fora da ficção, é fato que, no Brasil, em decorrência da evolução tecnológica, o povo fica cada vez mais dependente desses aparelhos, e, consequentemente, do acesso à internet. Porém, o que se observa na realidade, é a indiferença do Estado quanto a impossibilidade de a população mais pobre utilizar esses meios e o analfabetismo digital presente em grande parte dos indivíduos idosos.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que rege na Constituição federal – norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro -, o artigo 6º, que prevê os direitos básicos de um cidadão brasileiro, como lazer e educação. Paralelamente, vive-se numa situação de pandemia global, em que muitos dos serviços tiveram de ser adaptados para o meio digital, como o sistema educacional. Entretanto, a utilização da internet para um indivíduo exercer suas garantias básicas, não se observa na camada mais carente da sociedade nacional, visto a falta de preocupação governamental quanto a tal fatia populacional, verificando-se o Governo como um dos responsáveis pela situação atual.

Por conseguinte, também é válido salientar que, para alguém acessar à internet, são necessários conhecimentos básicos sobre a utilização de dispositivos eletrônicos, o alfabetismo digital, que geralmente está presente nas populações mais velhas no Brasil. Nesse sentido, de acordo com o filósofo Emmanuel Kant, em “Sobre a Pedagogia”, “O homem é aquilo que a educação faz dele”, ou seja, caso uma pessoa nunca tenha sido ensinada a utilizar de meios digitais, ela não vai ser capaz de fazer uso de tais artifícios.

Nesse contexto, fica claro a necessidade do Governo de dar condições de acesso à rede global de informações para os mais necessitados. Portanto, cabe ao Ministério da Educação – órgão responsável pelo sistema educacional brasileiro -, aliado a Organizações Não Governamentais, a responsabilidade de ministrar palestras gratuitas em áreas com alta população da terceira-idade. Além disso, recai sobre o Ministério de Estado de Minas e Energia, a destinação de mais verbas à introdução de regiões periféricas à rede de computadores nacional, para que assim, toda a população possa desfrutar de seus direitos. Deste modo, o povo brasileiro em sua totalidade, vai ter acesso à rede mundial de dispositivos, seguindo um dos poucos bons exemplos da narrativa retratada por Cline, em “Jogador Número 1”.