O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 05/01/2021

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade somente progride quando um se mobiliza pelo problema do outro. No entanto, quando se observa a questão do acesso à internet no Brasil contemporâneo, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática, uma vez que a inclusão digital ainda não é uma realidade no país, dificultando, deste modo, a universalização desse recurso tecnológico tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a exclusão de oportunidades de acesso à internet deriva da baixa atuação dos setores governamentais. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população. Entretanto, é possível perceber que, no Brasil, a democratização do uso de tecnologias de informação e comunicação ainda é uma utopia, visto que as pessoas que vivem em condições de vulnerabilidade socioeconômica são, muitas vezes, negligenciadas pelo Estado e, consequentemente, impossibilitadas de acompanharem as inovações tecnológicas. Dessa forma, o que provém desse descaso com essa parcela da população é o analfabetismo digital e o crescimento contínuo das desigualdades sociais, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar o domínio insuficiente dessas ferramentas tecnológicas como impulsionador da exclusão digital no Brasil. De acordo com o levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018, 41,6% dos brasileiros alegaram não saber usar a internet. Diante disso, é notório que existem barreiras vinculadas às competências dos usuários em lidar com dispositivos e serviços digitais, já que as gerações anteriores, os mais pobres e pessoas com uma posição econômica desprivilegiada têm maior dificuldade em naturalizar este convívio tecnológico. Por conseguinte, esse fator não assegura a participação dessas pessoas no contexto político, cultural e social no meio digital e não possibilita que elas aprendam e exercitem a mente através do conteúdos disponíveis na internet. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Cabe, então, ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, por intermédio de projetos de inclusão digital, ampliar o financiamento para a aquisição de computadores, criação de pontos de acesso à internet e a capacitação de usuários de ferramentas digitais, com foco em população de zonas de difícil acesso, idosos, pessoas com deficiência e pobres, a fim de incluir, digitalmente, essa parcela desprivilegiada na sociedade para que elas tenham seus direitos garantidos à cidadania e acesso pleno à educação. Desse modo o quadro vigente aproximar-se-á da concepção iluminista de progresso.