O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 10/01/2021

A obra cinematográfica “Bacurau” denota, de forma clara e concisa, as grandes dificuldades que a comunidade de Bacurau vivenciava devido ao escasso acesso aos vários meios de comunicação, principalmente à internet. De forma análoga à história fictícia, o acesso à internet ainda representa um problema em muitas comunidades no Brasil atual, devido a sua não homogeneidade perante os grupos sociais. Tal situação, por sua vez, corroborada pela falta de apoio governamental, auxilia a maior lateralização de grupos já marginalizados e a maior disparidade educacional entre indivíduos do corpo social. Dessa forma, urge a atuação obstinada do governo para a resolução deste imbróglio.

Em primeiro lugar, faz-se necessário ressaltar que o acesso a internet quando não oferecido de maneira homogênea corrobora o processo de desintegração social de grupos já marginalizados. Segundo a teoria do sociólogo Milton Santos, a respeito da Globalização perversa, todas as criações humanas apresentam um lado perverso. Nesse sentido, o acesso à internet, ao passo que conecta as pessoas que usufruem de seu acesso cada vez mais, finda por corroborar mais a exclusão de grupos alheios ao seu uso - presentes nos setores sociais mais desfavoráveis. Isto pois, devido ao fato de não participarem da massa social e informacional a que outros têm acesso, se encontram leigos às questões sociais que deveriam ser de direito de todos. Por isso faz-se necessário o ajuste dessas realidades.

Em segundo lugar, em tempos de isolamento social - em pandemias, por exemplo -, o acesso à internet passa a apresentar outros níveis de importância, principalmente quando se relaciona com a viabilização da continuidade do sistema educacional, uma vez que se apresenta como sendo a única forma viável e segura de interação social. No entanto, dados do Relatório da Unicef, comprovam que cerca de 30% dos jovens entre 15 e 24 anos não têm acesso à internet. Desse modo, tais resultados denotam a impossibilidade desses grupos de usufruírem do seu direito à educação, criando, então, barreiras e disparidades ainda maiores entre os mais diversos grupos, uma vez que envolvem não somente o acesso à internet, como também o acesso ao conhecimento.

Em suma, torna-se imprescindível a ação estamental no intuito de solucionar este problema. Dessa forma, urge ao Ministério da Comunicação - associado a empresas provedoras de internet - a realização, por meio do destino de verbas, de projetos de expansão de redes de wifi gratuita aos municípios mais marginalizados, com a instalação de roteadores nos centros ou nos locais mais acessíveis para a população adulta e jovem. Para, então, garantir uma realidade a essa população diferente daquela vivenciada pelos moradores de Bacurau.