O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 16/01/2021
Na música “Pela internet”, o cantor Gilberto Gil louva a quantidade de informações disponíveis nos meios digitais. Contudo, é possível analisar que uma expressiva parcela da população brasileira é privada do acesso a esse contingente informacional. Nesse sentido, pode-se apontar a imensa desigualdade social e a negligência estatal como principais causadores dessa problemática.
A esse respeito, é imperioso ressaltar os impactos da disparidade socioeconômica no agravamento do impasse. Segundo Ludwing Von Mises, importante nome da Escola Austríaca de Economia, o homem tende a agir de modo a maximizar sua felicidade. Sob essa ótica, as pessoas em situação de vulnerabilidade optam por adquirir produtos de necessidade básica em detrimento de tecnologias que permitam o acesso à internet, uma vez que as primeiras lhes proporcionarão maior felicidade. Essa situação mostra-se comum na realidade brasileira, visto que de acordo com o IBGE, 25% da população não possui acesso aos meios digitais.
Ademais, vale salientar a ação governamental como fator que valida a persistência do empecilho. De acordo com o sociólogo Zygmunt Bauman na sua obra “Retrotopia”, o Estado, de maneira intencional, influência a ocorrência de impetuosidades. Nessa lógica, o poder público, ao não garantir o acesso ao ciberespaço, compromete a cidadania na medida que é nesse meio que se encontram fatos, informações e maneiras de se acessar oportunidades e direitos, refletindo na manutenção da marginalização desse grupo social.
Infere-se, portanto, a necessidade de se buscar medidas para remodelar esse cenário. Para tanto, cabe ao Governo - na voz do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação -, investir verbas na expansão do acesso à internet, por meio da inclusão desse objetivo na Lei de Diretrizes Orçamentárias. Essa ação tem por finalidade diminuir a exclusão digital no Brasil, e a consequente exclusão social derivada dessa. Desse modo, poder-se-á democratizar o acesso às informações exaltadas por Gil.