O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 13/01/2021

As transformações que ocorreram com a Revolução Informacional redefiniram, de forma expressiva, a sociedade e a economia a partir do século XX. No entanto, esse cenário não é uma realidade de grande parte da população: Segundo dados do “Blogdoaftm”, 63,4 milhões de brasileiros não possuem acesso à internet. Isso ocorre, frequentemente, devido à fragilidade legal e educacional persistente no país.

Em primeira análise, evidencia-se, por parte do sistema legislativo nacional, a ausência de leis satisfatoriamente efetivas para democratizar o acesso à internet, comprometendo o que defende Pierre Bourdieu. O sociólogo, no livro “O Poder Simbólico”, afirma que os mecanismos criados pela democracia não devem estar inertes no corpo social. Contudo, percebe-se que na Carta Magna de 1988 o acesso à internet é trabalhado de forma indireta e, em grande parte, de maneira insuficiente para equacionar a segregação tecnológica enfrentada pela sociedade brasileira. Dessa forma, o Estado torna-se um agente perpetuador do processo de exclusão.

Ademais, é notável que a rudimentariedade metodológica de muitas instituições de ensino é um entrave. Esse viés fundamenta-se na compreeensão de que a educação é responsável por integrar diferentes realidades socioeconomicas. Nessa perspectiva, a introdução limitada de atividades didáticas cuja finalidade seja incluir alunos que não possuem acesso à internet, possibilitando o desenvolvimento de habilidades exigidas pela Revolução Informacional, é uma das causas mais relevantes da segregação tecnológica.

Portanto, faz-se necessário democratizar o acesso à internet. Logo, o Congresso Nacional, por meio de anexos à Constituição Federal - como um artigo enfatizando que todos os brasileiros tenham acesso, mesmo que parcial, à internet -, deve amenizar a exclusão digital que há no Brasil. Com isso, espera-se uma sociedade mais justa, nos moldes da Revolução Informacional.