O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 22/03/2021

O acesso à internet em questão no Brasil

Comenta-se com frequência a reportagem do site G1(grupo Globo) publicada no dia 03/06/2011, em que a Organização das Nações Unidas(ONU) declarou que o acesso a internet é um direito humano e que desconectar a população da web viola esta política. O comunicado da ONU foi publicado no mesmo dia em que uma empresa de vigilância da internet relatou que dois terços do acesso à internet da Síria se apagaram, o que seria uma resposta do governo do país para as manifestações da população.

Atualmente, o acesso a internet é um desafio que aflige a sociedade brasileira, de acordo com a pesquisa TIC Domicílios, realizada pelo Centro Regional de Estudos para Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic), em 2019, 46 milhões de brasileiros não tinham acesso à internet. Desse total, 45% explicam que a falta de acesso acontece porque o serviço é muito caro e para 37% dessas pessoas, a falta do aparelho celular, computador ou tablet também é uma das razões. Grande parte dessas pessoas que não possuem acesso a internet são moradores de periferias e favelas, onde geralmente se veem infraestruturas ainda muito precárias para a instalação da internet via fibra óptica ou banda larga.

Ao analisar os fatos, os preços muitas vezes são considerados elevados e não entregam um custo benefício de nível razoável ao cliente, especialmente para usuários cujas localizações são muito afastadas das cidades, caso de trabalhadores rurais, ou até mesmo pessoas que simplesmente não conseguem encaixar a conta de internet como uma despesa saudável a sua fatura mensal, por isso, a população brasileira tem fomentado debates a respeito do preço cobrado pelas provedoras de internet, que em sua maioria prometem entregar um serviço de alta qualidade mas a promessa acaba se limitando apenas à propaganda. Levando em conta o relatório “BSL 2018”, elaborado anualmente pela empresa de consultoria cable.co.uk, o Brasil ocupa somente a 133º posição no ranking de países com a internet mais rápida, entregando apenas uma média de 2,58 mbps, algo considerado muito baixo, visto que Singapura entrega 60,38 mbps e ocupa a 1º colocação. Em virtude dos fatos mencionados, uma solução plausível seria uma análise por parte da Agência Nacional de Telecomunicações(ANATEL), em que faria-se um cálculo baseado no preço cobrado pelos serviços de internet, com a quantidade e qualidade da conexão oferecida pela provedora, dito isso, estabeleceria-se uma tabela de preços a ser seguida rigorosamente pelas fornecedoras, o que aumentaria as chances e possibilidades de uma familia ou pessoa de baixa renda ter seu direito de acesso a internet de qualidade pelo preço justo.