O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 22/03/2021
É retratado no filme Ex Machina uma realidade não tão distante da vivenciada. Inteligências artificiais tomam decisões autônomas, semelhante à robô Sophia, criada em um laboratório em Hong Kong. Diante das tecnologias em questão, tem-se a ideia equivocada de que todo o mundo está em um mesmo ritmo de avanço. No mesmo momento da história em que uma máquina criada por humanos é capaz de tomar decisões autônomas, ainda há pessoas sem acesso a items básicos de necessidades humanas, como comida e água.
O psicólogo Abraham Maslow ficou conhecido pela criação da hierarquia das necessidades. Em esquema de pirâmide, aquela tem como base as necessidades fisiológicas: água, comida, sexo, sono, entre outros. Todavia esta não é a realidade no Brasil: de acordo com o IBGE, cerca de 52 milhões de brasileiros vivem em situação de pobreza, e 13 milhões em extrema pobreza. Sem a base fisiológica, as pessoas na citada situação ficam impossibilitadas de priorizar tecnologias em seu meio. Complementarmente, 220 mil pessoas vivem em situação de rua no Brasil, de acordo com uma pesquisa do IPEA. Usufruindo de restos de comida para sobreviver, tecnologias e internet são as últimas prioridades para tais indivíduos.
No ano de 2021, foi aprovado pelo senado brasileiro um projeto que encaminharia 3,5 bilhões de reais a estados e ao Distrito Federal, destinados a investimentos em internet em escolas públicas. A proposta era que professores e alunos de escola pública tivessem acesso gratuito à internet. Aquela, porém, foi vetada pelo presidente Jair Bolsonaro. É perceptível a negligência por parte dos governantes para mudar a situação presente. Vê-se que as preocupações do regime governamental é baseada em questões distantes. Essa indiferença é preocupante, diante o quadro do país: de acordo com o Unicef, 17% da populazção entre 9 e 17 anos não tem acesso à internet em casa. Esse número é equivalente a á 4,8 milhões de crianças e adolescentes.
Portanto, é de extrema importância que as políticas públicas sejam levadas mais a sério, e que haja esforço do estado para sanar desigualdades sociais. Diante do quadro apresentado, urge que municípios promovam centros de distribuição de alimentos para as pessoas em situação de rua, e que haja ajuda financeira às pessoas mais pobres, como o Auxílio Emergencial, promulgado em abril de 2020, posta a situação pandêmica mundial. Sanadas as necessidades básicas, necessita-se, também, a instalação de pontos de internet gratuita em áreas chave do município. Desta maneira é possível visar um futuro melhor a todos aqueles que necessitam do mínimo, e que as oportunidades possam se igualar.