O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 28/03/2021

Segundo a ONU, a inclusão digital é um direito fundamental, embora esse direito possa ser cumprido em países desenvolvidos como os EUA e Canadá. No Brasil, observa-se uma realidade diferente, quarenta e seis milhões de brasileiros não possuem acesso à internet: seja por não possuir um aparelho que garanta o acesso, ou até mesmo por não conseguir arcar com os custos de uma rede de internet. Assim, faz-se necessário que se questione como a exclusão digital evidencia a desigualdade de um país.

A migração do trabalho de escritório para home office (devido ao estado de lockdown proporcionado pelo coronavírus) se tornou a normalidade atual, tendo as vagas para esse tipo de trabalho aumentado em 215%, segundo o site G1 da Globo. Tendo em vista o crescimento de trabalhos remotos, observa-se que quem usufrui desse tipo de fenômeno são aqueles que possuem um acesso à internet, enquanto os que não possuem tal acessibilidade, como dito na introdução, não terão como se beneficiar sem que gastem o dinheiro utilizado na sua sobrevivência para adquirir um meio de acesso à rede.

Outro ponto relevante, na temática de desigualdade, é a disparidade entre os ensinos públicos e privados que, historicamente, possuem uma diferença na qualidade de ensino, sendo o particular superior ao público. Nesse ponto, a mudança do estilo de ensino do método presencial para o método EAD, acentuou ainda mais a desigualdade, visto que, quem consegue pagar por instituições particulares tende a possuir uma maior chance de ter acesso à internet, além de possuir um ambiente de estudo. Essa diferença de qualidade de ensino, no futuro, se intensificará quando a geração de estudantes do método EAD ingressarem no mercado de trabalho.

É necessário, portanto, que medidas públicas sejam tomadas para alterar esse cenário. Desse modo, cabe ao Estado proporcionar um meio de acesso à internet para pessoas que não possuem um dispositivo ou uma rede de internet, a fim de reduzir a desigualdade já comentada. Ademais, o Governo Federal deve cobrar empresas que possuem o monopólio de acesso à rede, com a intenção de diminuírem o preço de um plano de internet, tornando-a mais acessível para a parcela mais pobre da população. Dessa maneira, a realidade vivida nos países desenvolvidos pode ser experienciada também no Brasil.