O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 28/03/2021

No contexto de um Estado lutando pelo título de “país emergente”, como o Brasil, a internet constitui grande fator no quesito qualidade de vida, sendo esta um direito humano declarado pela ONU, em 2014. O acesso à internet é parte do estado de plena cidadania, ou seja, dos direitos de todos os cidadãos, e a impossibilidade de acesso a este recurso, de acordo com o filósofo francês Pierre Lévy, leva à exclusão social perante uma sociedade hiperconectada. Assim, deve-se entender o porquê, de acordo com o IBGE de 2018, apenas 79,1% dos domicílios brasileiro contavam com acesso a internet e a importância dessa estimativa crescer.

Decerto, a internet mostrou-se um recurso indispensável em meio a pandemia gerada pela Covid-19, não apenas no âmbito escolar e estudantil, bem como no profissional. Dados da pesquisa realizada pelo IBGE, a Pnad-19, revelam que, no segundo trimestre de 2020, apenas 4 meses após o início do isolamento social nacional, a taxa de desemprego subiu aproximadamente 1.1%, e que apenas 10% dos empregados nesse ano trabalham remotamente durante a pandemia. Desse modo, a impossibilidade de acesso a tal recurso agrava as diferenças sociais do país e, rapidamente, o afasta do posto de país em desenvolvimento.

À medida que se pensa no assunto, nota-se que a exclusão acontecesse em três fatores gradativos: não ter um instrumento de acesso à internet, tê-lo mas não ter acesso, e a impossibilidade de poder comprar esses recursos. Vê-se claramente a importância e a desigualdade do acesso à internet na matéria de março de 2020, do Fantástico, onde vê-se um jovem que precisa subir em uma árvore para conseguir assistir às aulas, no interior do Pará. A falta desse artifício revela-se então como uma falha social a ser rapidamente resolvida, que perpetua a desigualdade, e que aproxima o Brasil do título antes abandonado de país subdesenvolvido.

Assim sendo, para que o acesso à internet seja cada vez mais democrático, é imprescindível que o Estado, por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação, deve planejar expansões insfraestruturais em áreas sem acesso à rede, evitando assim o antes abordado inacesso à internet. Uma segunda medida a ser tomada é mobilizar planos de subsídio para a compra de instrumentos de acesso à internet, bem como ao serviço de rede, dando mais um passo em direção ao estado de plena cidadania e evitando a exclusão social.