O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 01/04/2021
A construção de feudos, muros que delimitavam uma determinada área no período da idade média, segregou milhares de pessoas e impossibilitou o alcance a bens que somente a nobreza podia usufruir. Fora da alusão, o Brasil do século XXI demonstra o mesmo comportamento do período feudal no que se refere ao desigual acesso à internet no país, sem muros físicos, mas com barreiras sociais. Isso se deve, sobretudo, a dificuldade de aquisição dos produtos tecnológicos pelas famílias de baixa renda, bem como à insuficiência de políticas públicas.
Convém ressaltar, a princípio, que a comunicação lacunar com os meios digitais pelos indivíduos de classe baixa, contribui para a persistência do problema supracitado. Segundo o filósofo Pierre Lévy, toda nova tecnologia cria seus excluídos. Sob esse viés, comprova-se que com a evolução tecnológica a exclusão social e a desigualdade aumentaram proporcionalmente, devido a dependência aos recursos virtuais ofertados. Isso se dá, pelo o valor inacessível dos produtos computacionais, que gera o afastamento coletivo daqueles que não podem adquirir, visto que impossibilita o acesso a informações sérias, no qual favorece a formação de uma sociedade leiga, e também vulnerável à alienação pelos mais favorecidos, assim, prejudicando o contato com os outros indivíduos, já que as relações interpessoais tendem a permanecerem, cada vez mais, virtuais.
Ademais, a ausência de ações públicas para a democratização do alcance ao âmbito cibernético, também apresenta-se como outro aspecto que influencia na dificuldade de efetivação do acesso igualitário à internet. Conforme o artigo 19º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, todos os seres têm direito à informação. Contudo, esse benefício não está sendo garantido totalmente ao corpo social brasileiro, tendo em vista que não só poucos ambientes públicos são destinados a obtenção do conhecimento por intermédio da “WEB”, prejudicando o aprendizado total, como também, quando disponibilizado, a qualidade da conexão é insatisfatória. Dessa forma, é inadmissível que essa situação continue a persistir.
Diante do exposto, torna-se incontestável que medidas deve ser tomadas para atenuar a problemática. Para isso, é primordial que o Governo Federal crie projetos para a propagação da tecnologia para os jovens de baixa renda, por meio da distribuição de recursos tecnológicos, como tablets e smartphones, com o intuito de ampliar o acesso à internet pelos menos favorecidos, além de fortalecer as relações entre os indivíduos. Paralelamente, é necessário que o Estado amplifique a quantidade de espaços tecnológicos disponibilizados para o obtenção de informações. Como efeito social, o acesso igualitário à internet será uma realidade, destruindo, dessa forma, barreiras e “feudos sociais”.