O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 14/08/2021

O poeta moçambicano Mia Couto, em um de seus momentos de reflexão, afirmou que a globalização se iniciou com o primeiro homem, dessa forma sugerindo que o mundo desde seus primórdios sofre mudanças. No Brasil, as alterações sugeridas pelo autor refletem-se no problema do acesso à internet no país, fruto tanto dos altos preços dos produtos e serviços eletrônicos, bem como de uma falha educacional na instrução dos jovens à utilização das tecnologias.

Primordialmente, é fato que os altos preços da internet e dos dispostivos necessários para acessá-la é a principal vertente do problema. Enquanto a massa dos brasileiros sobrevive com apenas um salário mínimo, a probabilidade de se possuir acesso à web em suas casas é muito baixa, uma vez que o serviço não é essencial, portanto, fica atrás de outras prioridades no orçamento como alimentação, vestuário, luz, água, etc. Segundo o que diz o artigo 1° da Carta Magna de 1988, todo cidadão nasce livre e igual em direitos, devendo o cumprimento da norma ser garantido pelo Estado. Desse modo, é nítido o lamentável descaso do Governo para com a manutenção das igualdades.

Além disso, a insuficiente exposição dos jovens à tecnologia nas escolas agrava o problema. Grande parte dos brasileiros não têm a mínima ideia de como se utilizar um computador, muito menos conhece os benefícios que podem ser extraídos do equipamento. Dessa forma, a sociedade se mantém estagnada no passado e não acompanha consistentemente a evolução das redes. Conforme afirma o filósofo alemão Immanuel Kant, o homem não é nada além daquilo que a sociedade faz dele. Sob esse viés, é evidente a incapacidade da educação brasileira de formar cidadãos adaptados à realidade.

Em vista dos problemas apresentados, urge que medidas sejam adotadas para neutralizá-los. O Governo Federal deve, por meio do Ministério da Economia, firmar parcerias com empresas dos ramos de telecomunicação e comércio de eletrônicos, concedendo mais crédito e possibilidades de aquisição dos serviços e produtos pela população em geral, de modo a facilitar o acesso à tecnologia. Ademais, através do Ministério da Educação, o Estado deve inserir na grade comum curricular disciplinas que trabalhem informática com o alunos, a fim de preparar os jovens a lidarem com as redes a seu favor e democratizar o acesso à internet no Brasil.