O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 18/08/2021
Consoante ao sociólogo Pierre Levy, toda nova tecnologia cria seus segregados. Nesse panorama análogo ao de Levy, nota-se que o acesso à internet tornou-se uma questão no Brasil devido a exclusões espaciais e econômicas. À luz desse enfoque, é fulcral ressaltar que essa perversa realidade tem raízes, respectivamente, na inoperância estatal e no sistema capitalista.
Diante desse cenário deletério, cabe salientar, precipuamente, a indiligência governamental no espectro brasileiro. Nesse viés, em conformidade com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, algumas instituições, na pós-modernidade, configuram-se como zumbis, pois largaram suas respectivas incumbências sociais. Dentro dessa lógica, é possível observar que o Ministério da Cidadania se tornou uma corporação zumbi, dado que não apresenta êxito perante as ações e políticas públicas que incluam áreas de internet em regiões periféricas. Isso é perceptível, lamentavelmente, pela carência de infraestrutura em redes, seja em favelas, seja em regiões interioranas ou rurais, fato comprovado por dados do IBGE. À vista disso, infere-se que a ineficácia da máquina administrativa estatal inviabiliza ações concretas que resolvam o tema e cerceia as pessoas que moram em áreas periféricas a uma realidade de segregação socioespacial.
Além dessa mácula governamental, também são preocupantes, no cerne da contemporaneidade, as origens e consequências do sistema capitalista. De certo, com o advento da Revolução Técnico-Científico-Informacional, as tecnologias se desenvolveram amplamente, sobretudo por conta da grande quantidade de investimentos nessas áreas. Com efeito, é indubitável que, infelizmente, esses produtos tem como principal mercado as classes sociais alta e média, haja vista que os brasileiros sem condições financeiras não possuem verbas para adquirir tais tecnologias, o que gerou frutos como a exclusão social no acesso à internet para esses indivíduos. Isso posto, depreende-se que a estrutura capitalista tornou-se uma chaga no Brasil, porquanto, enquanto o lucro for priorizado, haverá segregação socioeconômica no uso da internet.
Dessarte, fica claro que a inoperância estatal aliada ao sistema capitalista são a gênese desse revés. Assim, o Ministério da Cidadania deve construir infraestrutura tecnológica em locais periféricos, a exemplo de favelas e cidades do interior e rurais, por meio de tributos estatais, a fim de ampliar o acesso à internet no Brasil. Outrossim, cabe ao governo federal combater o abuso de preços, por meio da estipulação de pisos no preço de acordo com a renda familiar, com o fito de que aqueles que não possuem condições financeiras possam acessar a internet, ainda que sua renda seja baixa. Espera-se, com isso, que a internet não seja mais uma tecnologia com segregados.