O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 08/09/2021

Carlos Dummond de Andrade em seu poema “No meio do caminho” retrata o percurso de uma pedra presente em sua trajetória. Embora o contexto do poema do contista não tenha sido escrito sob o viés social, percebe-se um alinhamento com a realidade brasileira, no que tange ao acesso à internet em questão no Brasil. No sentido de que é um notório problema social que persiste sem solução, em razão da falta de políticas públicas e do silenciamento social.

Sobre isso, Abraham Lincoln, célebre personalidade política americana, disse, em um de seus discursos, que a política é serva do povo e não ao contrário. Em relação a tal afirmação, nota-se uma inconformidade sobre a acessibilidade da internet no Brasil e a atuação do Estado brasileiro, no sentido de que, ao contrário do que Lincoln explanou, a política atual não serve ao povo com ações, planos e metas públicas que tratem dos impasses causados ​​pela problemática. Com efeito, a exclusão digital e a falta de qualidade no ensino das escolas são as causas inadimissíveis dessa lacuna e que necessitam de resolução.

Da mesma forma, tem-se o silenciamento social como fator codjuvante do revés. Em consonância a isso, a escritora brasileira Martha Medeiros, discorre, em uma de suas obras, sobre a falta do debate social, afirmando que o índivíduo silencia tudo aquilo que ele não quer que venha à tona. Desse modo, é notório a relação da afirmação da autora e a questão da disponibilidade da internet no Brasil, já que o Estado brasileiro mantém essa questão dessa silenciada, pois seu debate trará a exposição de muitos reveses e a fundamentação de incontáveis ​​consequências, das quais , seus responsáveis, não demonstram capacidade para dirimir.

Portanto, algumas medidas são necessárias para solucionar a problemática. Sendo assim, a população, por meio de um projeto social online, deve criar uma campanha de incentivo, que trabalhe paralelamente com ações governamentais, como na questão do acesso à internet no Brasil. Tal campanha deve ter repercussão nacional e representantes de todos os estados brasileiros, para que possa cobrar do Estado maiores ações, planos, metas, projetos e investimentos públicos voltados para uma sociedade. Além disso, o Ministério da Educação, por intermédio das escolas e universidades, deve criar oficinas e palestras de debate, para minimizar o silenciamento social em torno do problema. Espera-se, dessa forma, que a população possa exercer seu protagonismo e trabalhar em parceria com o poder público. Somente assim, a questão deixará de ser uma pedra no meio do caminho da sociedade.