O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 08/09/2021

Na Grécia Antiga, a cidade de Atenas continha um espaço de participação e dicussão coletiva limitada ao pequeno contingente de indivíduos considerados cidadãos na época: a Ágora. Assim também ocorre na conjuntura atual brasileira: a internet, veículo de importantes questões acerca do cotidiano da população, encontra-se fora do alcance de uma grande parcela do país devido à falta de recursos e de conhecimento sobre tecnologia. Exige-se, portanto, a superação da exclusão digital, com o intuito de reduzir a desigualdade social e ampliar o exercício da cidadania.

Primeiramente, é válido ressaltar que a carência de investimento governamental em tecnologias eficientes dificulta a superação da problemática. Esse cenário, segundo as ideias do filósofo John Locke, configura-se como uma quebra do “contrato social”, uma vez que o Estado não garante o acesso cibernético a todos os brasileiros, gerando a desigualdade. Dessa forma, enquanto o uso da internet estiver restrito apenas a uma pequena e privilegiada parcela populacional, a sociedade não atingirá o equilíbrio, reproduzindo a lógica excludente ateniense.

Além disso, para que ocorra a universalização digital, é necesário que os cidadãos estejam aptos e instruídos acerca do uso. Nessa ótica, segundo o filósofo Kant, o homem é resultado da educação que teve. Por conseguinte, tendo em vista a importância do ensino na formação do indivíduo, verifica-se que o investimento em educação é imprescindível para combater a exclusão digital, pois não basta apenas ter os aparelhos em mãos, é necesário que cada brasileiro saiba como utilizá-los de maneira efetiva, exercendo plenamente seus direitos.

Sob esse viés, verifica-se que o Tribunal de Contas da União deve direcionar capital que, por intermédio do Ministério da Educação, seja convertido em feiras comunitárias, as quais devem apresentar palestras, cursos e atividades abertas a toda a comunidade, com o intuito de elucidar, da criança ao idoso, acerca dos mecanismos necessários para um acesso cibernético efetivo e responável, garantindo uma democratização do acesso digital. Ademais, a distribuição de aparelhos para as parcelas menos favorecidas da população é essencial, tendo em vista que são as maiores vítimas da exclusão. Desse modo, o exercício da cidadania e da inclusão garantirá a superação da desigualdade na acessibilidade do ciberespaço.