O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 16/09/2021
A Agenda da ONU 2030 é um plano de metas, do qual o Brasil é signatário, formulado pelas Nações Unidas, que prevê a redução das desigualdades como um objetivo de ordem global. No entanto, a falta de acesso, por parte da população brasileira, à internet evidencia a disparidade socioeconômica ainda latente no país. Nesse sentido, é válido analisar os diversos fatores que compõem a exclusão digital e seus prejuízos para a execução da plena cidadania dos brasileiros.
Em primeira análise, cumpre destacar as múltiplas raízes da segregação digital no Brasil. Sob essa ótica, nota-se que toda a estrutura brasileira das tics, tecnologias de informação e comunicação, é desigualmente fornecida. Isso se configura não só pela dificuldade da população mais vulnerável de adquirir os aparelhos eletrônicos, pelo elevado custo, como também pela própria infraestrutura de redes de internet, ineficientes ou ausentes, nas periferias ou locais mais remotos. Desse modo, rompe-se a premissa estipulada por Pierre lévy de que ,atualmente, todos os indivíduos pautam sua vida na esfera online, em uma espécie de sociedade hiperconectada, uma vez que muitos não têm a possibilidade de integrar-se nesse mundo.
Em consequência disso, uma parcela da população não é capaz de usufruir de todas as informações e facilidades provenientes do universo digital, impedindo o exercício total da cidadania. Isso porque, de acordo com a ONU, o acesso à internet é um direito humano do século XXI, logo, a exclusão digital torna-se um óbice para o cumprimento total da Democracia, uma vez que impede-se de gozar de todos os artifícios que lhes são formalmente garantidos . Dessa maneira, cria-se uma contradição, já que, por exemplo, muitas exigências do Governo, como título de eleitor, são resolvidas online, mesmo que alguns indivíduos não possam realizá-las, por não terem seus direitos, como internet, atendidos.
Torna-se evidente, portanto, que a questão da democratização do acesso à internet não se apresenta de maneira fácil de ser solucionada, porém necessária. Com isso, cabe, inicialmente, ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação investir na ampliação das redes de internet, por meio de um mapeamento realizado pelo IBGE, nos locais desamparados. Além disso, urge a esse Ministério oferecer subsídios para as empresas de aparelhos tecnológicos, para que o preço dessas mercadorias seja mais acessível. Tais ações têm como fito promover a obtenção de internet e equipamentos eletrônicos pela população segregada, propiciando que os direitos sejam garantidos de forma igualitária. Assim, será possível reverter esse quadro no país e atingir as metas pressupostas pela ONU.