O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 20/09/2021

Em consonância com o sociólogo francês Émile Durkheim, a sociedade funciona como um corpo biológico que, para ser igualitário e coeso, depende das partes que o compõem. Sendo assim, com a visível problemática de acesso à internet no Brasil, vê-se o funcionamento de falhas. Nesse sentido, faz-se necessário analisar e identificar as causas dos problemas, dentre elas, a insuficiência de leis e a mentalidade alienada de uma parcela da população.

Em primeiro plano, vale ressaltar que a legislação lacunar é um fator alarmante em questão. De acordo com John Locke, filósofo contratualista, as leis fizeram-se para os homens e não para as leis, ou seja, uma lei ao ser criada deve ter como objetivo oferecer justiça e diferença para as pessoas. No entanto, a realidade brasileira encontrada não é a mesma proposta por Locke, já que, segundo a cobrança publicada pelo Blog do AFTM, mais de 60 milhões de brasileiros não tem acesso à internet, mesmo com a existência da Constituição que garante os direitos, como: a igualdade. Diante do exposto, fica nítida a presença de uma população injustiçada e desigual, como reflexo de um poder executivo falho e irresponsável, o qual oferece uma lei e não a nacional.

Ademais, a mentalidade atrasada de uma parcela da população é também forte contribuinte do tema descutido. Segundo a Instituição Ipsos Mori, o Brasil já foi considerado o país mais alienado do mundo, o que explica a proposta de governos estaduais em dar continuidade ao ano letivo através da modalidade EAD, ignorando o fato de que mais de 40% das residências não possuem acesso nem a computadores, de acordo com os dados do site Mundo Educação, acentuando o senso de alienação e egoísmo daqueles que possuem privilégio sobre os demais. Assim, é urgente que a informação sobre o tema seja popularizada para que possa combater o problema.

Mediante os fatos, é preciso, portanto, que o Poder Judiciário, seja mais rigoroso como Poder Executivo, através de maior fiscalização das leis existentes e sua aplicação na realidade, com o objetivo de torná-las mais eficazes e justas, sem a necessidade de criação de novas para um mesmo fim. Além do Ministério da Cidadania, orgão responsável pelo desenvolvimento social, tornar obrigatório uma propaganda por dia sobre os problemas de acesso à internet no país, com dados e fatos, meios midiáticos e televisivos, com o intuito de popularizar o assunto e conscientizar as pessoas da triste realidade do país, propondo maior respeito e igualdade. Acredita-se que essas formas são possíveis amenizar e até superar a questão do acesso à internet no Brasil e manter o “corpo biológico” em perfeito funcionamento.