O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 18/10/2021

Segundo Albert Camus, escritor argelino do século XX, se o homem falhar em conciliar justiça e liberdade, então falha em tudo. Nesse sentido, o acesso a internet no Brasil é seriamente falho, já que, ao não abranger toda a população, gera uma sociedade desigual e deficiente em diversos setores, como a educação e o mercado de trabalho. As razões para a persistência dessa problemática são de um viés principalmente econômico e histórico.

Primordialmente, faz-se necessário relatar que, segundo o IBGE, cerca de 20% da população não tem internet em casa. Isso se deve, dentre outras razões, principalmente ao custo elevado de alcance à rede e à falta de aparelhos eletrônicos nas residências, afetando diretamente famílias com menor poder aquisitivo e consequentemente impossibilitando um ensino justo para estudantes de baixa renda. Sob esse prisma, evidencia-se que, ao serem criadas disparidades na integração dos alunos, principalmente os de instituições públicas, no sistema de educação a distância —vigente no Brasil em decorrência da pandemia do COVID-19—, são feridos preceitos éticos e morais, além de conceber um cenário desigual no corpo educacional brasileiro.

Ademais, salienta-se que a dificuldade de alcance à web no país é estruturada, também, em um pretexto histórico. Com uma população segregada de maneira socioespacial há séculos, foi produzida uma discrepância entre regiões geográficas quanto a possibilidade de acesso à internet, em que a aquisição desta se tornou mais complexa ainda em muitos municípios remotos ou de baixa renda. Consequentemente, o desenvolvimento local de áreas conectadas em maior quantidade, como a região sudeste, acontece de maneira simples, pelo alcance mais fácil de oportunidades profissionais e obtenção renda mais elevada, por conseguinte.

Dessarte, é imperativo que sejam tomadas medidas para mitigar os efeitos da disparidade do acesso à internet no Brasil. Para isso, é necessário que o Governo, em autoridade do Ministério Da Ciência, Tecnologia e Inovações, juntamente com o Ministério da Educação, por meio de verbas públicas, crie um sistema federal com acesso à Wi-Fi sem custo na maioria dos municípios brasileiros, além da implementação de alcance à rede gratuita nas instituições governamentais de ensino, com o fito de conceber uma população com mais conexão e igualdade. Somente assim, construir-se-á um Brasil com oportunidades para todos.