O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 19/10/2021
“Acendendo a esperança e apagando a escuridão”. Ao entoar esse verso da canção “Credo”, o cantor Milton Nascimento indica, metaforicamente, uma visão otimista sobre o futuro a partir da desconstrução de posturas negativas. Esse discurso esperançoso pode ser visto como elemento norteador nos debates sobre os impactos negativos causados pela falta de acesso à internet no Brasil, tendo em vista que o otimismo tende a potencializar a resolução desta problemática. Nesse prisma, cabe analisar essa questão no país.
De início, pontua-se que é negligência do Poder Público permitir essa falta de acesso. Isso porque, há uma falha no processo de assistência, já que uma parte da população não tem acesso a aparelhos que utilizem internet. Como exemplo, vê-se os problemas enfrentados com a educação a distância, durante a pandemia, onde alguns estudantes não tinham como participar das aulas por não terem computadores em suas residências, o que fazia com que seu direito à educação não fosse assegurado. Dessa forma, percebe-se que o Estado não tem garantido o bem-estar de todos os cidadãos, rompendo, assim, o contrato social, teorizado pelo filósofo Jean-Jancques Rousseau.
Ademais, enfatiza-se que falta engajamento coletivo para se alcançar, de fato, uma sociedade livre dessa falta de acesso. Como prova disso, tem-se a inércia de parte da população em não lutar por investimento financeiro estatal na criação de espaços equipados com conexões públicas em locais periféricos que possuem baixa acessibilidade ao ciberespaço, o que gera disparidades sociais e de oportunidades para aqueles que vivem nestas áreas. Tomando os estudos do sociólogo Zygmunt Bauman para esclarecer esse cenário, é possível perceber que, devido ao pessimismo que atingiu a sociedade após a Segunda Guerra Mundial, quadros negativos como este passaram a ser aceitos.
Por fim, ressalta-se que essa falta de acesso deve ser superada. Para isso, é necessário que o Estado promova assistência aos que precisam, priorizando a efetivação, a partir dos orgãos competentes, das diretrizes orçamentárias, com o objetivo de facilitar o acesso a aparelhos que promovam maior acesso à internet, o que aumenta a possibilidade de uma educação a distância mais democrática. Ainda, é fundamental sensibilizar os indivíduos, via campanhas midiáticas, produzidas por ONGs, sobre a importância de se adotar uma postura não resignada diante da ausência de acesso a internet, o que pode potencializar a mobilização coletiva em prol da criação de espaços estatais, em ambientes periféricos, que promovam e facilitem um maior acesso ao espaço virtual. Desse modo, assim como na canção de Milton Nascimento, a esperança poderia ser “acesa”.