O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 28/10/2021
A Terceira Revolução Industrial, iniciada no século XX, contribuiu para a expansão dos meios tecnológicos. Entretanto, ao observar o cenário brasileiro atual, percebe-se que a internet, serviço que ganhou notoriedade desde aquele período, ainda não contempla a todos, haja vista seu acesso não democratizado. Desse modo, a desigualdade social e a negligência estatal atuam como contribuintes dessa conjuntura negativa.
De início, vale destacar as disparidades socioeconômicas existentes no país. Nesse sentido, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 46 milhões de brasileiros não possuem acesso à internet. Sob essa lógica, observa-se que a parte populacional de baixa renda é a mais prejudicada, uma vez que sem poder aquisitivo para usufruir os mecanismos digitais, acabam sendo privados dos benefícios promovidos pela tecnologia, como bibliotecas online e sites de estudos. Dessa forma, nota-se que a internet é distribuída de forma desigual, visto que, devido aos valores elevados para o fornecimento de dados, muitos cidadãos colocam essa ferramenta em segundo plano, priorizando serviços básicos de sobrevivência, como a alimentação. Assim, são necessários meios que possibilitem a inclusão tecnológica da população vítima da desigualdade digital.
Ademais, a ineficácia estatal caracteriza-se como propulsora do impasse. Nesse viés, o filósofo Jonh Rawls, em sua obra “Uma Teoria da Justiça”, afirma que um governo digno é aquele que disponibiliza finanças para todos os setores de forma igualitária. Contudo, no Brasil, o pensamento do teórico não condiz com a realidade, uma vez que que o Estado além de não destinar verbas ao setor tecnológico, não desenvolve ações para a construção de espaços públicos que disponibilizem internet de forma gratuita aos cidadãos brasileiros, dificultando o acesso a esse recurso digital. Dessa maneira, percebe-se que a falta de medidas governamentais afeta, principalmente, os indivíduos inseridos em áreas com baixa infraestrutura tecnológica, visto que, devido à extensão territorial, diversas regiões do país não possuem acesso à internet de forma ampla e democratizada.
Portanto, medidas são necessárias para mitigar tal problemática. Posto isso, o Ministério da Tecnologia-órgão responsável por questões digitais- deve, por meio de verbas governamentais, criar ambientes públicos que contenham aparelhos, como tablets e notebooks, conectados à rede mundial de computadores. Essas ações devem ser concretizadas a fim de não apenas proporcionar o acesso da população menos favorecida as ferramentas digitais, como também diminuir o acesso discrepante à internet na nação. Com esses feitos, a internet, que tem destaque desde o início da Terceira Revolução, beneficiará um maior número de pessoas.