O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 01/11/2021
Desde o agravamento da pandemia no Brasil e do lockdown, o IBGE — Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística demonstrou o aumento considerável da demanda dos brasileiros por serviços a internet como aplicativos de entrega, educação a distância, cursos de profissionalização on-line, redes sociais e de informação. Todos serviços que mesmo com o surgimento da flexibilização do lockdown, ainda são extremamente requisitados, trazendo consequências diretas para o mercado brasileiro que podem acabar sendo motivo de exclusão de brasileiros com uma qualidade precária (ou nenhuma) de acesso a internet e analfabetismo digital alheios a essas novas oportunidades, exigindo-se que o estado tome novas políticas assistenciais urgentemente.
Em primeiro modo, no texto ‘‘A Compreensão do Espaço-Tempo Sob a Condição Pós-Moderna’’, o geógrafo britânico David Harvey afirma que o acesso de um bem comum por apenas um grupo demográfico e não por todos em um mesmo país é o que se chama de ‘‘Desterritorialização’’, sendo essa situação quando aplicada a bens tecnológicos descrita como ‘‘Desterritorialização Tecnológica’’. Essa situação segundo Harvey, ocorre quando ao não participar do mercado internacional de algum bem (pois sob o capitalismo, todos os bens públicos e privados são um produto negociável), o tal bem passa a ser deixado a uma pequena demografia capaz de pagar por ele. Levando o exemplo para o Brasil, não há nenhum tipo de investimento do poder público em projetos facilitadores da internet em esfera popular, deixando o bem da internet nas mãos apenas daqueles capazes de pagar e necessitando o brasileiro de políticas do estado que o ajudem em seu letramento digital.
Em segundo modo, no livro ‘‘Raízes do Brasil’’, o sociólogo brasileiro Sérgio Buarque de Holanda afirma que o brasileiro é um homem cordial, tendo a cultura de estabelecer formalismos sociais somente na medida que os convêm e ao levar esta colocação aos dias atuais. Dessa forma e com o advento da internet, seria natural do mesmo resistir a se modernizar integralmente, necessitando do estado por ele fazer essa modernização aos poucos.
Portanto, observando a conjuntura histórica em que o brasileiro naturalmente se encontra, é errôneo dar a ele a culpabilização pela condição problemática do acesso a internet em seu país, tendo as esferas governamentais do Brasil que investir em campanhas do chamado letramento digital, isto é, a inserção de mais e mais brasileiros no mundo da internet com ampla difusão de meios tecnológicos ao povo brasileiro. Com isso, a tecnologia no país não será mais desterritorializada para apenas aqueles que podem pagar e as condições culturais básicas do homem cordial brasileiro seriam respeitadas.