O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 04/11/2021
Para Platão, filósofo grego da Antiguidade, a qualidade de vida ultrapassa a própria existência, pois, para ele, o importante não é viver, mas viver bem. Sob tal ótica, no contexto brasileiro, a falta de acesso à internet, por ser um fator de exclusão social, é um obstáculo ao estabelecimento desse ideal na vida de muitas pessoas, o que configura um grave problema social. Isso se explica não só pela negligência governamental, mas também pela desigualdade social vigente. Assim, é fundamental analisar tais fatores para liquidar esse impasse.
A princípio, é imperioso destacar que o tema em questão é fruto da má gestão estatal no tocante à educação pública. Quanto a isso, segundo dados colhidos pela Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico e Social, no Brasil, o investimento público em educação está abaixo da média mundial. Nesse sentido, com o sucateamento desse setor de ensino, as escolas não conseguem disponibilizar computadores e tablets para os seus alunos usarem durante as atividades. Consequentemente, os jovens de baixa renda, que provavelmente não têm aparelhos eletrônicos em casa, ficam sem meios de aprender a usar a internet e, com isso, são excluídos do mundo digital e de todos os seus benefícios. Logo, esse quadro de inoperância das esferas de poder exemplifica a existência das instituições zumbis descritas por Bauman, as quais não desempenham o seu papel.
Outrossim, a discussão em curso deriva ainda da desigualdade social no Brasil. A esse respeito, de acordo com Victor Hugo, escritor francês, o progresso age de forma a beneficiar alguém esmagando outra pessoa. Nesse viés, uma vez que é necessário ter dinheiro para comprar o aparelho que irá se conectar à internet e para adquirir um plano de banda larga, o acesso à internet atua como uma barreira que separa ricos e pobres, causando o benefício daqueles em detrimento desses. Com isso, conclui-se que a democratização do acesso à internet também passa por uma melhoria da situação de pobreza na qual grande parte da população se encontra e, dessa maneira, é dever do Estado agir de forma a reduzir as diferenças sociais.
Portanto, de modo a solucionar a problemática supracitada, medidas exequíveis são necessárias. Primeiramente, compete ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, em parceria com o Ministério da Educação, destinar mais verba para a educação pública. Isso deve ser feito por meio do investimento em salas de aula mordenas - as quais devem possuir computadores, tablets e internet à disposição dos alunos - para que as crianças, desde cedo, aprendam a usar a internet e estejam também incluídas nesse meio. Ademais, cabe ao Estado, por meio do Poder Executivo, adotar políticas de redução da desigualdade social no país, a fim de que ocorra a democratização do acesso à internet.