O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 10/11/2021
“Não são as crises que mudam o mundo, mas sim a reação social diante delas”. Essa afirmação atribuída ao sociólogo Zygmund Bauman, figura como um contraponto à conduta passiva da sociedade diante dos desafios do acesso à internet em questão no Brasil, já que é justamente o comportamento da habitualidade frente à problemática que consolida a carência de meios para erradicar essa situação de adversidade. Nesse sentido, fica claro que tal quadro surge da mentalidade capitalista, que não permite a democratização dessa ferramenta aos cidadãos. Logo, não só a desigualdade social, como também a indisponibilidade do serviço em alguns locais corrobora essa vicissitude.
Em primeiro plano, a desigualdade social contribui para não democratização do espaço virtual no país. Isso acontece, sobretudo, porque a ferramenta da internet se restringe aos indivíduos que possuem melhores condições financeiras, de modo que a parcela social que vive de baixos salários - geralmente usados para necessidades básicas, como alimentação- não consegue sequer ter acesso a um dispositivo eletrônico. Essa reflexão pode ser confirmada com o pensamento do geógrafo Milton Santos, segundo o qual, afirma: “A era da informação possui seus excluídos, uma vez que a concentração de renda impede que a globalização seja contemplada por todos”. Sob esse prisma, o pensamamento do autor vai ao encontro do cenário brasileiro, no qual a segregação dos meios digitais prevalece. Desse modo, enquanto a desigualdade social existir, o acesso a internet será uma exceção.
Sob um segundo olhar, a indisponibilidade do serviço em algumas áreas do país cristaliza a falta de acessibilidade da internet no Brasil. Nesse sentido, embora havendo interesse no que tange à conectividade, um número significante de pessoas não possui acesso à rede devido, principalmente, ao desinteresse de empresas de banda larga na região-com ênfase na região Norte- de modo, a privar esse público dos benefícios gerados por essa ferramenta, como o recebimento de informação de forma rápida e o uso para a educação. Ilustração disso, são os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), segundo o qual, 4,5% das pessoas em todo país não acessam a internet devido a indisbonibilidade das bandas largas nos locais que frequentam. Dessa forma, medidas são essenciais.
Mediante ao exposto, torna-se evidente que a falta de democratização da redes virtuais tem origem clara a mentalidade que valoriza o lucro. Portanto, para solucionar essa questão, faz-se fundamental que o governo federal atue por meio do Plano de democratização do meios digitais que, a partir do Ministério da tecnologia, proponha as pessoas de baixa renda a doação e instalação de chips nos domícilios com o acesso a internet, para que, os meios digitais garantam a inclusão de todos os cidadãos. Assim, será possível garantir a visão proposta pelo sociólogo Bauman.