O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 17/11/2021
A Organização das Nações Unidas, em 2011, afirmou que o acesso à internet é um direito humano do século XXI. Entretanto, tal acessibilidade não tem sido uma realidade vivenciada plenamente pela sociedade brasileira. Sob esse aspecto, convém discutir tanto sobre a exclusão digital, a qual representa uma forma de exclusão social quanto como a periferização urbana aliada a falta de recursos financeiros corrobora para que nem todos consigam acessar os meios digitais.
Sob esse viés, é relevante abordar que a privação da população ao acesso à internet representa uma forma de marginalização social, uma vez que limita os indivíduos a gozarem de recursos disponíveis, muitas vezes, apenas nesses meios. Segundo o filósofo Pierre Lévy, vive-se hoje em uma sociedade hiperconectada, em razão do uso expressivo dos meios de comunicação. Com base nisso, pode ser mencionado o cadastro para conseguir acesso ao auxílio emergencial, durante a pandemia da COVID, o qual só poderia ser realizado pelos meios digitais. Desse modo, fica claro que a parcela da população que não tinha essa possibilidade disponível correu grande chance de perder o benefício, o que evidencia o processo exclusivo que a falta de acessibilidade a essas redes pode gerar.
Ademais, é preciso apontar que o acesso à internet no Brasil também é negago pela marginalização social vivenciada pelos moradores de favelas, geralmente, desprovidos financeiramente. De acordo com o geográfo Milton Santos, o território social é classificado em espaços luminosos e opacos, no qual os primeiros são aqueles com maior atenção do governo e o segundo os menos contemplados. Nesse âmbito, pode ser citado o método de ensino EAD, muito adotado na atual pandemia, o qual não desfavoreceu os espaços que têm atenção do governo, por outro lado, estudantes de favelas relataram para o site UOL, que não conseguiram se preparar para provas devido a falta de internet em muitos desses locais ou de dinheiro para para adquirir planos. Dessa maneira, é evidente a necessidade de medidas para mudar essa realidade.
Diante disso, o Ministério da Tecnologia Ciência e Educação - órgão responsável pela formulação e implementação da Política Nacional de Ciência e Tecnologia - deve investir na promoção do acesso à internet no Brasil. Isso pode ocorrer por meio de construção, nas favelas, de locais públicos para acessar à internet, assim como criação de cotas de acesso a planos pela população baixa renda. Espera-se, com isso, incluir essas pessoas nesses meios atualmente essenciais, diminuindo a atual exclusão digital.