O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 16/11/2021

Em países subdesenvolvidos, como Chile, o acesso à internet abarca quase toda a totalidade do território. No Brasil, entretanto, segundo o jornal CNN (Cable News Network), cerca de 19% da população brasileira não possui acesso à rede mundial de computadores. Esse cenário nocivo ocorre não só devido à estrutura socioeconômica, mas também em razão de políticas públicas ineficazes.

Nesse sentido, é válido destacar a privação econômica como obstáculo ao uso democrático da internet. Nessa lógica, consoante aos dados do jornal CNN, apenas metade das casas da classe D e E tem acesso à rede de computadores. À vista disso, observa-se que as condições socioeconômicas da população brasileira materializam-se em exclusão social, dado que os mais carentes não possuem ingresso ao mundo digital em virtude de sua situação financeira. Dessa maneira, nota-se que, infelizmente, os abismos sociais existentes no país impedem que os mais vulneráveis possuam internet no seu dia a dia e, por consequência, há um aumento das desigualdades e da exclusão digital no Brasil. Logo, lamentavelmente, a renda financeira e a classe social são fatores excludentes no mundo tecnológico.

Além disso, é imprescindível salientar a inércia estatal em exercer políticas públicas eficazes que reduzam as mazelas sociais. Nessa perspectiva, segundo o teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer, o teste de moralidade do Estado é como ele lida com a democratização de recursos para o benefício da sociedade. Diante disso, conforme bases do jornal CNN, embora existam projetos de ampliação das redes de internet em locais mais periféricos, tais planos não recebem verbas suficientes para entrarem em prática de maneira eficiente. Percebe-se, assim, que o acesso igualitário à internet é frustrado pela negligência estatal, uma vez que a esfera pública não oferece a devida atenção à problemática tão presente na vida de milhares de brasileiros. Tal atitude infeliz expressa perigo para a manutenção do equilíbrio social, já que os mais pobres são prejudicados e, assim, excluídos do âmbito tecnológico.

Verifica-se, portanto, a necessidade de romper esse quadro danoso. Para isso, cabe ao governo federal, responsável pela administração dos interesses da nação, por meio de sólidos investimentos, destinar verbas para políticas de redistribuição de renda para os mais vulneráveis, com o objetivo de tornar possível o acesso ao serviço de internet a todos. Paralelamente, ele deve, por intermédio de compras de computadores e de aparelhos tecnológicos, melhorar a infraestrutura de bibliotecas que já possuem a rede de computadores, a fim de alcançar não só a inclusão digital, mas também a estrutural. Dessa maneira, será possível a construção de uma nação moral aos moldes de Bonhoeffer.