O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 18/11/2021

De acordo com o antropólogo Claude Lévi-Strauss, o entendimento de uma sociedade pressupõe a compreensão de seus pilares. Paralelamente, o Brasil contemporâneo evidencia diversas barreiras que dificultam o acesso à internet, um dos alicerces da educação e da economia vigente. Diante disso, deve-se averiguar dois fatores que engendram essa problemática, os quais devem ser combatidos: a ineficiência do acesso ao recurso e a intensificação da formação educacional precária.

Primeiramente, é fulcral ilustrar esse dilema por meio do conceito de espaço público orquestrado pela filósofa Hannah Arendt. Nesse contexto, o Estado possui o dever de propiciar um ambiente igualitário aos cidadãos, no tocante aos recursos básicos socioeconômicos, como a internet. Contudo, de acordo com pesquisas realizadas pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade, mais de 40% das casas brasileiras não possuem computadores, ferramenta essencial para o acesso ao recurso. Dessa forma, o país contraria o fundamento evidenciado pela pensadora, visto que uma substancial parcela de indivíduos não dispõem de meios para concretizar o uso dessa tecnologia.

Consequentemente, a precarização do acesso à internet potencializa o índice de subemprego, decorrente da formação educacional defasada dos brasileiros. Nesse âmbito, segundo dados coletados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, cerca de 22% dos jovens no país não trabalham e nem estudam, devido ao engessamento do mercado de trabalho provocado pela exigência de mão de obra qualificada. Em vista disso, é indubitável a necessidade da democratização do acesso à internet, visto que a ferramenta tecnológica é imprescindível na capacitação profissional e acadêmica dos cidadãos.

Portanto, para que as barreiras mencionadas sejam atenuadas, é mister que o Ministério da Educação fomente medidas para a melhora e democratização do acesso à internet. Para isso, a aproximação entre os cidadãos e a tecnologia deve ser intensificada, por meio da construção de núcleos educacionais em redes públicas de ensino, priorizando áreas periféricas dos estados. Desse modo, a presença de uma sociedade mais conectada engrandecerá a capacitação profissional e educacional dos brasileiros, fortalecendo esse pilar socioeconômico do país.