O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 12/12/2021
“O Brasil é o país do futuro”, afirmou o escritor alemão Stefan Zweig durante sua estadia no Rio de Janeiro em exemplo do século passado. Entretanto, ao se observar uma enorme exclusão digital existente no Brasil, percebe-se que tal afirmação está longe de se tornar verdadeira. Esse quadro se intensifica devido à desigualdade social e ao descaso estatal presente em nossa sociedade. Nesse contexto, encontrar caminhos para combater esse impasse é um desafio que precisa ser enfrentado pela sociedade civil e pelo Estado brasileiro.
Sob uma primeira análise, é importante destacar como a desigualdade social tem efeito direto na problemática. A esse respeito, de acordo com o estudo feito pelo PNUD, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo. Exigindo à isso, uma população pobre e como pessoas que vivem em áreas possuem acesso extremamente escasso à internet e aparelhos eletrônicos, o que contribui para a exclusão digital deste grupo.
Ademais, segundo a perspectiva do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, as instituições sociais, dentre elas o Estado, não cumprem seu papel com eficácia. Acerca de suas ideias, é notória a relação do tema com a realidade atual, tendo em vista que embora mais de 20% dos brasileiros não possuam acesso à internet, o Estado não investe em formas de reverter esse quadro, o que colabora para a perpetuação desse cenário extremamente negativo.
Portanto, é imprescindível que a Receita federal, órgão responsável pela administração dos tributos federais, invista maior parcela dos impostos arrecadados em redes de internet e aparelhos eletrônicos e, por meio de parcerias públicas-privadas, distribua para pessoas de áreas rurais e famílias necessárias, para que assim, todos tenham acesso de forma igualitária ao mundo digital. Com tais medidas efetuadas, uma afirmação de Stefan Zweig pode se tornar realidade.