O acesso à internet em questão no Brasil
Enviada em 12/12/2021
A elitização da internet
Após a saída da internet do nicho acadêmico para a comercialização pública causada pela Embratel, a sociedade brasileira, finalmente, passou a viver em um mundo globalizado, onde a internet, a conectividade e os avanços tecnológicos são a base de tudo. Consequentemente, a maior parte das esferas sociais estão inseridas nesses elementos, o que passa a ser nocivo quando milhares de pessoas ainda são constantemente excluídas do acesso aos mesmos, fazendo com que elas percam inúmeras oportunidades, deixando claro e amplificando a imensa desigualdade social que assola o território nacional.
Ainda convém ressaltar que essa elitização da internet afeta, majoritariamente, a educação do país. Com a chegada da pandemia e a implantação do EaD (Ensino a Distância), ficou evidente a ineficácia do governo e do Ministério da Educação (MEC) no âmbito tecnológico, pois a decisão de realizar um ensino online, quando o acesso à internet ainda não é realidade para ao menos 30% da população brasileira, segundo a pesquisa TIC Domicílios de 2019, foi deveras incoerente.
Destarte, além da grande taxa de estudantes que não possuem o devido acesso à internet, que segundo o IBGE é por volta de 4,3 milhões de estudantes brasileiros, ainda temos o fato de que muitas escolas, sobretudo públicas, não possuem infraestrutura e nem dispõem de plataformas e professores com formação adequada para trabalhar com tal modalidade. Tudo isso é resultado de uma exclusão Institucional, onde o governo exige que para que o indivíduo tenha acesso aos seus direitos, ele tenha que utilizar da internet, da qual ele não tem.
Pode-se dizer que o problema de acesso à internet no Brasil, mormente na educação, faz com que os estudantes sejam impedidos de aprender, logo, de utilizar os seus direitos, o que é completamente contra a Declaração Universal de Direitos Humanos, onde a própria ONU identifica o acesso à internet como um direito humano, e que desconectar a população da web é uma violação.
Em suma, erradicar essa desigualdade digital na educação é uma obrigação do governo. Para isso, os recursos destinados à educação têm que ser bem geridos e fiscalizados pelo mesmo, nisso o Ministério da Educação (MEC) e o Conselho Nacional de Educação (CNE) vão investir numa série de políticas educacionais eficientes, melhorando da infraestrutura tecnológica das escolas e treinando os professores. Por fim, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações formulará um novo plano para a distribuição e acessibilidade de tecnologias gerais, buscando levar o acesso à internet para todo o país. Mas tudo isso, quem deve exigir é a população, se ela não se impor, a mudança não acontecerá.