O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 25/04/2022

O quadro expressionista “O grito”, do artista norueguês Edvard Munch, simboliza a desesperança, o medo e a angústia refletidos na fisionomia de um personagem coberto por uma atmosfera de intensa aflição. Para além dessa obra, nota-se que, na conjuntura brasileira contemporânea, o sentimento de várias pessoas assoladas pela dificuldade no acesso à internet no Brasil é, sistematicamente, similar ao ilustrado pelo pintor. Isso ocorre porque os custos com a internet são altos, o que resulta no aumento da falta de inclusão digital.

A princípio, é imperioso notar que o alto valor para se ter acesso à internet é um dos fatores que contribuem com o impasse em questão, o que faz com que pessoas que ganham apenas um salário mínimo não consigam arcar com os custos de uma rede WI-FI. Ademais, essa conjuntura também demonstra a indiligência estatal, visto que não existem políticas públicas que combatam ou diminuam esses valores exacerbados, o que torna a população pobre a principal vítima dessa problemática. Sendo assim, vê-se a ineficácia do Estado ao não tornar possível a democratização do acesso à internet aos brasileiros.

Consequentemente, com a permanência do problema em questão, cresce o número de pessoas que não estão incluídas no processo de inclusão digital. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de sessenta milhões de pessoas não têm acesso à internet. Esse dado mostra que mais de um terço da população não consegue usufruir das ferramentas essenciais que articulam desenvolvimento para a nação, o que transforma essa parcela em uma parte segregada dos benefícios vindos das tecnologias digitais. Nessa perspectiva, faz-se imprescindível uma intervenção estatal.

Portanto, medidas são necessárias para reverter a problemática em questão. Dessarte, a fim de democratizar a internet para a população, é preciso que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, principal órgão das tecnologias digitais do país, em parceria com o Ministério da Economia, por intermédio de investimentos estatais, distribua roteadores de WI-FI gratuitamente nos bairros mais pobres das cidades de todo o país. Os roteadores devem ser colocados em diversos postes ao longo dos bairros para que todos consigam captar o sinal. Espera-se, assim, que os sofrimentos emocionais retratados por Munch delimitem-se apenas no plano artístico.