O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 26/05/2022

A animação Ron Bugado mostra a exclusão social que uma criança sofre por não ter uma determinada tecnologia. Analogamente, muitos brasileiros são excluídos devido falta de acesso à internet. Isso é um problema que ocorre devido à desigualdade social vigente e à negligência governamental.

Em primeiro lugar, urge entender como a falta de igualdade promove a carência de acesso ao “mundo virtual”. Segundo o sociólogo Pierre Lévy, toda nova tecnologia tem seus excluídos. Sob esse viés, os privilegiados com internet desde o seu surgimento têm sido os mais favorecidos economicamente, visto que tal recurso é, na maior parte do país, privado. Dessa maneira, os mais pobres, que mal tem acesso a suprimentos básicos para a sobrevivência, sofrem mais um tipo de exclusão, a digital, e isso os afasta mais da ascensão social, já que são, de certa forma, privados de informação.

Além disso, a omissão do governo frente a esse problema, favorece a manutenção da heterogeneidade digital. De acordo com o escritor Oscar Wilde, o Estado deve fazer o que é útil e o indivíduo deve fazer o que é belo. Partindo desse princípio, fica claro que o Estado brasileiro não tem cumprido parte de seu papel ao deixar uma porção da população sem acesso aos meios digitais, que são imprescindíveis fontes de cultura, comunicação e trabalho no mundo contemporâneo. Dessa forma, a negligencia estatal não só mantém o cidadão sem internet, como também contribui para a ausência parcial de direitos constitucionais, como o direito ao trabalho e à educação.

Portanto, tendo em vista os argumentos supracitados, medidas são necessárias para atenuar o problema. Para isso, o governo federal deve fomentar o acesso a internet para todos, por meio de investimentos direcionados a uma rede de Wi-Fi pública e gratuita em todos os municípios do país, inclusive áreas rurais e indígenas, com o fim de garantir a isonomia digital nacional. Ademais, a iniciativa privada deve permitir o uso sem custo da rede de internet de seus estabelecimentos para fins educativos e de comunicação de emergência, com o intuito de auxiliar a população e contribuir com o ensino. Somente assim, a realidade será mais parecida com a que Wilde sugere.