O acesso à internet em questão no Brasil

Enviada em 08/03/2024

O romance filosófico “Utopia” - criado pelo escritor inglês Thomas Morus no século XVI - retrata uma civilização perfeita e idealizada, na qual a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia mostra-se distante da realidade no tocante aos desafios para expandir o acesso à internet a todos no Brasil. Nesse sentido, há de se descontruir a desigualdade regional que compromete o exercício da cidadania no país.

A priori, a formação do Brasil foi marcada por uma colônia de exploração, que, desde o século XVI, promove desigualdade de renda e miséria. Nesse contexto, algumas regiões receberam mais investimentos da Coroa Portuguesa quando comparada a outras. Sob essa lógica, tal panorama ainda tem reflexos negativos na atualidade, haja vista que a disparidade regional permanece, de tal modo que regiões periféricas do Norte e do Nordeste são carentes no que se refere ao acesso à internet, dado que não possem infraestrutura para receber a rede.

De outra parte, convém ressaltar que a parcela da população que é impedida de usar a internet tem sua cidadania limitada. A respeito disso, segundo Aristóteles, no livro “Ética a Nicômaco”, a política existe para garantir a felicidade dos cidadãos. Contudo, ao terem o uso da internet restrito, os indivíduos ficam impossibilitados de acessarem ferramentas digitais disponibilizadas pelo Governo, como a emissao online do título de eleitor.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas. Para tanto, o Ministério das Cidades, por meio do repasse de verbas da União, deve promover reformas nas áreas periféricas, a fim de possibilitar a instalação de postes e cabos necessários ao estabelecimento de internet. Desse modo, os indivíduos terão acesso à rede e poderão exercer, de fato, a sua cidadania.