O acesso à moradia em questão no Brasil

Enviada em 28/01/2026

O geógrafo Milton Santos afirma que o espaço urbano é resultado das relações sociais que nele se estabelecem. No contexto brasileiro, essa dinâmica evidencia um cenário em que o acesso à moradia digna permanece limitado, uma vez que a especulação imobiliária e a insuficiência de políticas públicas habitacionais atuam como entraves centrais à inclusão social nas cidades. Dessa maneira, é preciso discutir essa problemática para, assim, solucioná-la.

Nesse sentido, a especulação imobiliária dificulta o acesso à moradia ao encarecer o solo urbano e restringir a oferta de habitações em áreas valorizadas. A manutenção de imóveis e terrenos ociosos, enquanto cresce a demanda por mora-dia, empurra a população de baixa renda para regiões periféricas ou ocupações irregulares. Nesse sentido, Henri Lefebvre, ao defender o “direito à cidade”, critica a submissão do espaço urbano à lógica mercadológica, o que ajuda a compreender como a priorização do lucro compromete o acesso igualitário à moradia. Assim, evi-dencia-se que a especulação imobiliária aprofunda a segre-gação socioespacial e gera prejuízos diretos à inclusão social.

Ademais, a insuficiência de políticas públicas habitacionais agrava o déficit de moradias no país. A ausência de programas contínuos e de planejamento urbano integrado faz com que grande parte da população viva em domicílios inadequados, sem infraestrutura básica ou acesso eficiente a serviços públicos. Segundo dados do IBGE, mais de 8 milhões de domicílios no Brasil apresentam algum tipo de inadequação habitacional, como falta de saneamento ou adensamento excessivo. Dessa forma, a ineficácia estatal contribui para a manutenção de condições precá-rias de vida e para a violação da dignidade social.

Por isso, o Governo Federal deve implementar uma política habitacional integrada, regulando o uso do solo urbano e ampliando continuamente a oferta de habitações sociais, por meio da fiscalização efetiva de imóveis ociosos, do reaproveitamento de áreas subutilizadas e do planejamento urbano articulado com estados e municípios. Com isso, busca-se combater a especulação imobiliária, reduzir o déficit habitacional e garantir moradia digna à população, promovendo a diminuição da segregação socioespacial e melhores condições de vida nas cidades.