O acesso à moradia em questão no Brasil
Enviada em 21/07/2024
Manoel de Barros, poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras a “teologia de traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Semelhante à lógica barrosiana, nota-se que o acesso à moradia em questão no Brasil é uma questão ofuscada e possui fortes raízes no país verde-amarelo, motivadas não só pela negligência governamental, mas também pela omissão midiática.
Diante desse cenário, é importante destacar a omissão da máquina pública no enfrentamento da temática. Nesse viés, conforme Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, algumas instituições deixaram de exercer a sua função, operando como “zumbis”. Sob essa ótica, a crítica de Bauman pode ser associada à inoperância estatal, a qual, embora tenha o dever fundamental de cuidar do país, não trabalha a questão do acesso a moradia. Consequentemente, aumentando a desigualdade social. A motivação disso é a ausência de políticas públicas para os cidadãos que garantam que este tipo de advento tenha mais valor no país. Logo, enquanto o estado mantiver tal conduta, difícil será a resolução da temática.
Ademais, vale destacar a falta de divulgação como um dos desafios para o enfrentamento do imbróglio. Nessa perspectiva, o filósofo Habermas alega que a linguagem é uma verdadeira forma de ação, ou seja, discutir um problema é um meio de enfrentá-lo. Nesse sentido, percebe-se que a mídia assume uma postura omissa em relação à divulgação de casos de pessoas sem moradia, isso ocorre porque a mídia tende a omitir ou evitar divulgar assuntos que geram grandes debates. Essa falta de cobertura dificulta o conhecimento sobre a questão. Desse modo, cabe uma reformulação na postura midiática.
Infere-se, portanto, a necessidade e a urgência para combater os efeitos da negligência e da omissão referentes ao acesso à moradia. Para isso, o Estado – responsável por garantir a qualidade de vida da população – por meio do Poder Midiático, a fim de impedir a violação dos direitos dos indivíduos e de conscientizar a nação sobre o problema, deve divulgar os impactos que a desigualdade causa nos seres humanos. Desse modo, espera-se que, com essas ações, o cenário atual possa ser revertido e que este tópico passe a não ser parte da teologia de traste.