O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 30/07/2018

A escritora brasileira Hilda Hilst escreveu o verso: “O mundo não comporta tanta gente infeliz”. Apesar de seu indubitável talento, o século XX, no qual viveu, fora marcado por fatos contradizentes às suas palavras: a crise de 29, as duas guerras mundiais, a industrialização tardia em países como o Brasil, além da expansão de regimes totalitários e da constante tensão com a Guerra Fria. Tais acontecimentos foram o gatilho para a multiplicação de inúmeras formas de aflições pessoais, como paranóias, neuroses, ansiedade e depressão. Consequentemente, a contemporaneidade é marcada pelo aumento da depressão em jovens, mortificados pela fluidez da pós-modernidade.

Mediante ao exposto, o filósofo polonês Zygmunt Bauman descreve os tempos pós-modernos como uma “modernidade líquida”, na qual as restrições e as fobias vivenciadas no século XX são substituídas pelo desejo constante de realização. Ademais, a virtualização das relações sociais ocasionaram um distanciamento da realidade, cujas consequências culminam na busca por padrões comportamentais, sociais e estéticos maquiados pela internet, gerando frustração numa juventude ávida por resultados imediatos, os quais são raramente conquistados.

Outrossim, a nova modernidade, marcada por avanços industriais, tecnológicos e científicos exponenciais, atrelados à expansão praticamente global do capitalismo, busca suplantar as guerras e as crises do passado e, nesse âmbito, o verso supracitado de Hilst ganha um sentido profético, afinal, são imperativos dos tempos hodiernos: a busca por prazer e felicidade, além da supressão das dores, sejam físicas, sejam mentais, pois o mercado oferece a pílula para qualquer mal, assim como produtos supostamente causadores de felicidade. Destarte, tal ilusão gera uma sequência de decepções nos jovens, tornando-os depressivos e dependentes de medicamentos.

Em vista dos fatos elencados, é tácito que há uma necessidade de superar tais imbróglios. Para tal, torna-se imprescindível uma reeducação mental dos juvenis, desde a infância. Logo, na esfera educacional, o Ministério da Educação pode criar um programa cujas diretrizes sejam instruídas por um psicólogo, voltadas para a conscientização acerca dos perigos e das falácias da pós-modernidade, como a busca por padrões, o imediatismo, as ilusões criadas pelo mercado e a intolerância às dores, tendo como exemplos, a solidão e a tristeza. Além disso, a mídia pode auxiliar no descortino de tais temáticas, incluindo-as nas narrativas de suas telenovelas. Assim, conscientizar-se-á, a juventude, de que, como disse o existencialista russo Dostoiévski: “Sofrer e chorar significa viver”.