O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 09/07/2018

A segunda geração do Romantismo brasileiro, período que foi de 1853 a 1869, era composta por autores jovens cuja literatura é marcada por traços de melancolia, sentimentalismo e individualismo. Paralelo aos dias atuais, o aumento da depressão entre os jovens tem sido potencializado devido ao estreitamento das relações interpessoais, o qual ocasiona o isolamento, principal característica do transtorno. Nesse contexto, é pertinente analisar os fatores que promovem a depressão nesse público.

A forma como a sociedade atual analisa a depressão favorece a banalização do assunto, sobretudo, tendo os jovens como alvo. Isso porque os sintomas depressivos, como, tristeza e isolamento, são vistos como momentâneos, principalmente, pelos pais, resultado de uma mudança comportamental natural da faixa etária, o que devido a falta de exposição da temática, impossibilita o diagnóstico precoce. Em defluência disso, a ocorrência de transtornos depressivos acentuados nos jovens, tem levado a severos casos de suicídio, esse que é a quarta maior causa de morte entre os brasileiros de 15 a 29 anos, conforme dados do Ministério da Saúde. Dessa maneira, o crescimento da patologia evidência a importância do seu debate, a considerar a falta de informação e a dificuldade dos pais em identificar as mudanças da própria adolescência com a variabilidade clínica do transtorno depressivo.

Além disso, nota-se ainda, que a cobrança social pela qual o jovem é submetido atua como um forte fator somatório. Isso decorre da supremacia capitalista vigente que instaura padrões nos quais o sucesso profissional aliado a um bom status social devem ser atingidos a qualquer custo. Nessa conjectura, o termo “Modernidade Líquida” do filósofo Zygmund Bauman que caracteriza o mundo atual sob um viés de incertezas e, sobretudo, fragilidade nas relações sociais, traduz a realidade de muitos adolescentes, os quais na dificuldade de adequação aos padrões vigentes desenvolvem o transtorno depressivo. Exemplo disso é a atuação das redes sociais, ao passo que o jovem conectado o tempo todo vislumbra nesse meio um modelo de vida perfeito, que o torna insatisfeito com a sua própria realidade, o que gera isolamento e crises de ansiedade, fatores que predispõem a depressão.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de ações capazes de mitigar o aumento da depressão entre os jovens.  Assim, o Ministério da Saúde em parceria com as escolas deve realizar campanhas e palestras expositivas, com a presença de psicólogos e psiquiatras, com o objetivo de disseminar informações e empoderar tanto a sociedade, mas, sobretudo, os pais para lidarem com a questão. Ademais, o Ministério da Educação deve criar uma política pública que insira psicólogos de maneira efetiva e obrigatória nas escolas, para que esses possam junto aos docentes identificar possíveis casos de tendência à depressão, além de tornar factível aos estudantes o acesso a esses profissionais.