O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 09/07/2018
Segundo a Associação Brasileira de Psicanálise, 10% dos jovens brasileiros sofrem com a depressão. Dessa forma, é indubitável a necessidade de discutir a eminência dessa doença, principalmente em relação à supracitada faixa etária. Ademais, é inegável tentar compreender o papel da sociedade perante tal enfermidade, bem como suas consequências na vida daqueles que a enfrentam.
É relevante abordar, primeiramente, as causas que levam o jovem a desenvolver um quadro depressivo. Com a grande incidência da depressão na sociedade, não é rara a influência genética no desenvolvimento da doença, posto que crianças com pais deprimidos possuem mais risco de desenvolver a mazela. Além disso, é essencial citar os fatores externos que induzem a essa enfermidade, entre eles pode-se citar a negligência dos pais e a violência sofrida na primeira infância. Concomitante a isso, está a socialização escolar, durante a qual podem ocorrer fenômenos como o bullying, o qual torna-se um elemento agravante, principalmente durante a adolescência. Dessa maneira, fica clara influência da sociedade no desenvolvimento de enfermidades como a depressão.
Diante da enorme incidência da depressão na conjuntura contemporânea, é licito compreender os desdobramentos dessa. Nesse sentido, dados como Organização Mundial da Saúde, os quais denotam que a depressão é a segunda principal causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos, tornam-se preocupantes. Infelizmente, o suicídio como consequência desse distúrbio não é algo recente, posto que, no século XVIII, obras como Os Sofrimentos do Jovem Werther – escrita por Goethe e atemporal na sua descrição da mazela de seu protagonista - já revelavam essa triste realidade. Entretanto, a depressão ainda é tratada como tabu pela sociedade, o que faz com que o jovem não fale sobre a melancolia que o acomete e, sem apoio afetivo e ajuda profissional, essa torne-se cada vez maior.
Portanto, diante da triste realidade que permeia os jovens brasileiros, são necessárias ações. É essencial que as instituições de ensino, por meio de palestras e debates, conscientizem os alunos e suas famílias acerca da importância de dialogar sobre distúrbios como a depressão, a fim de que aqueles que sofrem possam ter apoio afetivo dos que os cercam. Além disso, faz-se primordial que o Ministério da Saúde, através da redistribuição de verbas, capacite os profissionais do Sistema Único de Saúde, para que esses estejam aptos a lidar com jovens em situação de fragilidade emocional, com o objetivo de que os cidadãos possam ter acesso a um tratamento psicoterápico digno e eficaz. Assim, será possível, no futuro, diminuir as taxas de depressão entre os jovens.