O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 11/07/2018

“Ultrarromantismo contemporâneo”

Assim como ocorreu no período conhecido como Ultrarromantismo – século XIX –, os sentimentos de angústia e solidão são, atualmente, bastante frequentes entre os jovens brasileiros. Nesse sentido, é prudente salientar que a forte pressão social sob a qual os adolescentes estão submetidos na modernidade corrobora significativamente o aumento no índice de depressão juvenil e, em muitos casos, de suicídio.

Sob essa abordagem, cabe destacar a intensa pressão social sofrida por muitos jovens na contemporaneidade como sendo resultado de uma sociedade cada vez mais rígida. Com efeito, desde cedo os adolescentes são submetidos a diversas responsabilidades – concluir a vida estudantil e ser um profissional de sucesso – em um curto período de tempo e sem respeitarem seus próprios limites. No entanto, lamentavelmente, nem todas as pessoas conseguem êxito e se frustram, com isso desenvolvem sérios problemas psicológicos – a exemplo de depressão – e, em muitos casos, acabam por silenciar a dor com a própria morte – de acordo com a análise do sociólogo Émile Durkheim, seria um tipo de suicídio egoísta.

Ademais, convém acrescentar as graves manifestações da depressão no comportamento humano e o crescimento alarmante dessa doença entre os jovens brasileiros. De acordo com o médico Dráuzio Varella, essa doença crônica é preocupante por afetar diversas atividades humanas, como a alimentação, a qualidade do sono e o estabelecimento de relações interpessoais. Ainda segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o segundo país com maior índice de depressão em todo o continente americano. Trata-se, portanto, de uma realidade lamentável, na medida em que vidas são colocadas em risco e a condição humana se assemelha a de Severino – “aquela que se morre um pouco a cada dia”.

Frente a esse dilema, urge, por conseguinte, a atuação das instituições de ensino por intermédio da realização de projetos como o desenvolvido na Universidade de Passo Fundo – o Núcleo de Apoio à Vida – o qual busca, por meio do diálogo entre psicólogos, psicopedagogos e estudantes, fornecer mais apoio aos jovens e reduzir os casos de depressão entre eles. Além disso, é crucial a participação das famílias no que diz respeito a apoiar o familiar com sinais de depressão e conduzi-lo o quanto antes a um médico, tendo em vista que o diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem reverter a situação.