O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 08/07/2018
A segunda geração romântica, durante o século XIX, colocou em pauta na sociedade brasileira, através de obras pessimistas e personagens melancólicos, temas como suicídio e depressão. Não obstante, fora das obras literárias o aumento de casos depressivos, principalmente entre jovens, tem se tornado um problema de saúde pública no país. Tal realidade pode ser explicada pela fragilidade das relações interpessoais na contemporaneidade, bem como, o “bullying” que colaboram para a perpetuação da tradição romântica, o mal do século.
Sob esse viés, sabe-se que as relações familiares podem se destacar como uma das causas do aumento da depressão na juventude. Isso porque, em muitos lares, não existe mais o hábito do diálogo e da proximidade, inclusive, entre pais e filhos. Bauman, em sua teoria “modernidade liquida”, explica que, no mundo moderno, as relações pessoais tornaram-se fluidas e sem importância quando comparadas com a necessidade de se manter presente no mundo virtual. Consequentemente, os jovens quando expõem suas angústias recebem dos pais o diagnóstico de fracos e sentimentalistas, o que torna-os ainda mais vulneráveis.
Além disso, infere-se que o bullying e o cyberbullying contribuem para essa problemática. Nesse sentido, as decepções perante o sentimento de inadequação social, como as insatisfações com o corpo e o preconceito contra a orientação sexual são alguns dos fatores que integram as frustrações no período de transição da infância para a adolescência. Tais fatores, ratificam a intensa fragilidade dessa fase da vida para desencadear sintomas depressivos e pensamentos autodestrutivos. Prova disso, é que segundo pesquisa conduzida pela Universidade Colúmbia, nos Estados Unidos na faixa etária de 12 a 25 anos quase 40% dos jovens sofre de depressão.
Diante dos fatos supracitados, é importante que as escolas em conjunto com as instituições familiares promovam palestras elucidativas a fim de construir laços afetivos com os filhos, por meio de diálogos passíveis que criem no adolescente a confiança para tratar de assuntos que lhe angustiam, objetivando, dessa forma, identificar e tratar os casos de depressão para que consequências autodestrutivas não cheguem a acontecer. Ademais, é fundamental que o ministério da saúde em conjunto com a mídia, realizem campanhas, em redes sociais e televisões, que visem divulgar a importância da integração social, e os perigos da depressão na formação social e psicológica do jovem. Por fim, amplificar o alcance de fundações como o CVV – Centro de Valorização da Vida que realiza apoio emocional é imprescindível. Só assim, a tristeza profunda e a idealização da morte, não sairão dos romances literários.