O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 11/07/2018

A segunda geração do romantismo brasileiro, ao utilizar um eu-lírico pessimista e melancólico, ficou conhecida como “Mal do Século”. Entretanto, em pleno século XXI, esse termo foi atribuído à depressão, que é uma doença caracterizada pela perda ou diminuição de interesse e prazer pela vida, que vem acometendo muitos adolescentes no Brasil. Segundo dados da pesquisa da Universidade Federal de São Paulo, 12% dos jovens brasileiros entre 12 e 18 anos sofrem com a doença. Sob essa perspectiva, essa questão merece ser discutida de forma mais aberta e efetiva, pois se trata de uma patologia que pode causar a morte.

Em primeiro lugar, o que contribui para o aumento da depressão entre os jovens é a pressão social exercida sobre eles, que ao buscarem atingir seus objetivos de maneira cada vez mais instantânea, percebem que estão sujeitos à manipulação e que as suas possibilidades de escolhas são mais aparentes do que reais, que relacionamentos saudáveis não são construídos de imediato. Nesse viés, Zygmunt Bauman, em sua metáfora “modernidade liquida”, explica que, vivemos em um momento de substituição de valores coletivos por valores individuais, e as relações se dão por meio de conexões fluidas que podem ser desfeitas com muita facilidade.

Outro agravante que tem despertado preocupação entre os especialistas e gera controvérsias, é que ao longo dos anos observa-se que quando o tema suicídio se torna frequente na mídia, os atos e tentativas aumentam de forma considerável. Essa observação é pertinente com a realidade em que vivemos, onde a depressão é alimentada por meio do mundo virtual, que muitas vezes isola o individuo e também propõe desafios depreciativos aos adolescentes, como é o caso do jogo da Baleia Azul e a série 13º Reasons Why, que relata o suicídio de uma adolescente.

Sendo assim, medidas devem ser tomadas com o propósito de amenizar esta problemática. O Ministério da Saúde deve criar cartazes educativos e orientar os profissionais a realizar palestras para expor o assunto nas unidades de atenção básica. Além disso, é de suma importância que as escolas invistam na capacitação dos educadores, para que realizem atividades em grupo com os pais e alunos, ensinando-os a diferenciar a tristeza de sintomas depressivos. Por fim, a mídia deve debater o tema com psicólogos e psiquiatras, esclarecendo a população sobre a necessidade de buscar ajuda profissional e aderir a uma terapia e caso haja necessidade, ao tratamento farmacológico de forma consciente.