O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 09/07/2018

Sonolência, desânimo, humor azedo, medo e somatização são alguns dos sinais de alerta para a depressão. Esse quadro vem aumentando vertiginosamente no Brasil, podendo ser reflexo direto ou indireto do rítmo acelerado da vida pós-moderna, associado ao ínfimo envolvimento do governo no campo da saúde mental e até mesmo a fragilidade dos laços sociais e afetivos.

Inserir-se em uma sociedade dia a dia mais tecnológica, competitiva e desigual é o desafio preponderante no qual os jovens modernos devem se adequar em uma velocidade quase que robótica. Dessa forma, a juventude é lançada em uma realidade na qual não possuir os melhores salários, não consumir os produtos mais inovadores e não se manter conectado ao mundo virtual é sinonimo de atraso e fracasso, o que gera anseios e transtornos psicológicos. Assim, na mesma rapidez na qual se enquadram à “nova ordem mundial” também aumentam a incidência de doenças psicológicas, principalmente a depressão que segundo a OMS afeta 10 em cada 100 brasileiros, tal configuração contribui para que fração signicativa de indivíduos se tornem incapacitados às atividades laborais e cotidianas.

Ademais, a fragilidade da vida moderna causada pelos elevados casos de violência, bem como a sensação de anomia social geram uma falta de integração do indivíduo à sociedade e o que o estiver ao redor, levando a depressão devido a solidão, tal situação pode levar ao que Durkheim chamou de suicídio egoísta. Da mesma forma, na proporção em que pessoas tão jovens imergem em relações com laços afetivos tão frouxos, quanto os virtuais, mais cedo são forjados os vínculos sociais superficiais ou líquidos - tal qual aventou Bauman - acarretando em uma multidão de solitários e deprimidos. Nesse sentido, o pouco envolvimento do governo na criação de políticas à saúde mental impedem ou dificultam que pessoas as quais sofrem com esta doença, além da família e amigos reais, saibam o caminho que devem seguir para buscar ajuda.

Para que os sinais de alerta à depressão não tornem, portanto, os jovens seus próprios reféns , urge a necessidade de maior investimento em políticas públicas voltadas à saúde mental, como incentivos aos programa de residência médica e multiprofissional em psiquitaria e saúde mental, além de apoio da mídia para que famílias busquem apoio aos primeiros sinais de alerta.