O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 08/07/2018
O período que se seguiu após o fim da Segunda Guerra Mundial foi palco de profundas mudanças em diversas esferas da sociedade. E, no Brasil, não foi diferente, em consequência do processo de desenvolvimento rápido e desordenado vivido pelo país, o mesmo enfrenta problemas complexos dentro de sua comunidade relacionados à depressão entre jovens. Diante dessa questão, urge a necessidade de se debater e compreender as causas e o impacto de tal assunto na sociedade.
Em um primeiro momento, é imprescindível analisar a situação do jovem em meio ao crescente impacto da modernidade na organização social. A fluidez dos vínculos humanos, característica do processo de globalização e do amplo uso de tecnologia, atinge diretamente a forma como o homem interage com o meio e com seus semelhantes. Nesse sentido, na adolescência, fase rodeada por profundas transformações e dificuldades, tais relações volúveis e efêmeras ocasionam um sentimento de perda/vazio que progressivamente avança para um quadro de depressão.
Diante desse raciocínio, cabe uma reflexão acerca do ineficaz papel da atual conjuntura familiar no suporte ao jovem durante a adolescência. Do individualismo, como parte integrante da identidade do indivíduo, à busca incessante pela felicidade, a família tem delegado sua função como base para a criação do jovem a terceiros. Assim, o adolescente se vê desamparado dentro de sua própria casa durante um período complicado de sua vida. Segundo Francis Bacon, o comportamento humano é contagioso. Dessa forma, a negligência por parte da família devido à valorização do ter em detrimento do ser, enquanto permanece a ser reproduzida se torna enraizada e frequente.
Conforme Focault, em seu estudo sobre temas proibidos, a sociedade moderna tende a tornar tabu assuntos que causam desconforto a população. Desse modo, temas como depressão e suicídio entre jovens ficam restritos a ações pontuais; o Estado, por sua vez, se limita à campanhas esporádicas que não primam pela real conscientização sobre o assunto, sendo a falta de debate/diálogo em ambiente familiar e escolar um sério agravante do problema. Diante dessa conjuntura, o Brasil ocupa uma grave colocação no ranking mundial sobre depressão retratando a magnitude de tal questão.
Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário que a escola, em consonância com a família, promova o acompanhamento e a orientação dos jovens em um período complexo, por intermédio de palestras, debates e orientação profissional com psicólogos para que compreendam as dificuldades diárias. Além disso, é imprescindível que o Estado destine maiores investimentos, advindos da arrecadação pública, na capacitação e instrução de profissionais da área, como professores e psicólogos, bem como da própria família com o objetivo de oferecer ao jovem amparo.