O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 16/07/2018

Durante o romantismo do século XIX, - principalmente na fase mal do século - escritores românticos como Alvares de Azevedo retrataram em suas obras, vidas ”regadas” de conflitos, incertezas e fragilidades existenciais. Não obstante, hodiernamente, tal literatura mostra-se mais atual do que nunca, haja vista a realidade crescente de indivíduos em estado de depressão no Brasil, caracterizando como um empecilho de saúde pública.Assim deve-se discutir as vertentes que englobam tal problemática.

Em uma primeira análise, é indubitável que a “liquidez da modernidade” -termo usado por Zygmunt Baumam - suas constantes modificações, juntamente com a dinâmica de padrões , estejam entre as causas desse problema. Nesse contexto, a partir de um tecido social alicerçado em padrões de estilos de vida estereotipados, como relacionamentos ideias , ascensão social, contribui para que uma parcela da população, principalmente jovens e adolescentes, desenvolvam quadros de depressões por conta de não conquistar imediatamente modelos de vida socialmente aceitos. Dessa maneira, observa-se o quanto a pressão social e pessoal proporcionada pela coercitividade da sociedade, repercute no desequilíbrio emocional e desencanto pela vida de muitos indivíduos.

Outrossim, é factível que o desconhecimento da população brasileira em relação a essa doença é igualmente fator que colabora com seu aumento entre as pessoas. Isso porque, de acordo com o sociólogo Émile Durkheim, o indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido. Sob essa perspectiva, a falta de entendimento dos mecanismos biológicos e sociais que desencadeiam a depressão, bem como seus sintomas, fazem com que muitos jovens e adolescentes não procurem amparo e suporte de familiares e psicólogos, por exemplo, repercutindo no negligenciamento dessa doença pela sociedade e pelos indivíduos que a têm.Essa realidade pode ser evidenciada na pesquisa da folha de São Paulo, em que constatou que 50% das pessoas diagnosticadas com a doença não sabiam da mesma.

É imperativo, portanto, medidas sinérgicas no embate a essa problemática.A priori, cabe ao Governo congregado ao Sistema de Saúde Único, promover estruturas de centros especializados em assistência em diferentes Municípios para pessoas fragilizadas emocionalmente , a fim de concretizar um amparo e suporte ao bem-estar da população. Acrescido a isso, cabe aos diferentes meios de comunicação, oferecer espaços a psiquiatras e psicólogos em suas transmissões, bem como divulgar relatos de histórias de pessoas que suportaram esse empecilho, com o intuito de esclarecer os mecanismo e sintomas que englobam essa doença. Por fim, espelhamo-nos nas belas palavras de Mahatma Gandhi, “se queremos progredir, devemos cuidar agora do bem-estar de todos”