O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 09/07/2018
Álvares de Azevedo, escritor brasileiro da segunda geração romântica -conhecida como “mal do século”- demonstrou, por meio da literatura, as marcas da adolescência dessa época, que era comum a difusão de ideias pessimistas e a atração pela morte, ou seja, reflexos de uma sociedade depressiva. Apesar do lapso temporal, a dificuldade dos jovens do “mal do século” para aceitarem a depressão ainda é reverberada atualmente. Nessa perspectiva, cabe discutir as exigências de padronização impostas pela indústria cultural, bem como o aumento da individualidade entre os jovens do Brasil.
É importante, antes de tudo, analisar que as imposições da indústria cultural sobre os jovens refletem no aumento da depressão entre eles no Brasil. Tomando como base o filósofo Kant, o qual afirma que o conceito de beleza deve ser subjetivo, mas o juízo estético -a indústria cultural- tenta universalizar essa ideia para que esteja inerente aos objetos. Logo, nota-se que os jovens, maiores vítimas desse processo de objetificação, recebem padrões dos quais, muitos, não se encaixam com a performance individual. Em decorrência a pressão social sofrida pelos jovens “fora” do padrão, geralmente, são acometidos pela depressão. Tal situação pode ser observada, segundo a BBC Brasil, a partir das taxas de depressão entre os jovens que aumentou cerca de 700% em 16 anos.
Convém pontuar, também, a individualidade como influenciadora no aumento da depressão entre os jovens do Brasil. Isso porque, com o advento das redes sociais, as relações físicas, muitas vezes, são negligenciadas pelos jovens. Dessa forma, os estereótipos publicados nos “feeds” podem satisfazer o ego de forma irracional e substituir as interações sociais. Consequentemente ao isolamento de contato afetivo entre os jovens e a exposição excessiva às redes, geralmente, gera a depressão. A comprovação desses fatos está diante do estudo publicado pela agência internacional “We are social”, a qual aponta que o tempo gasto na internet pelos jovens pode comprometer aspectos emotivos.
Ressalta-se, portanto, a necessidade em combater as taxas de depressão entre os jovens do Brasil. Para isso, é fundamental o empenho do Ministério da Saúde em criar projetos relacionados a importância das interações sociais, por meio de propagandas nas redes, que denunciem o aumento do índice de depressão entre os jovens e informem a necessidade de procurar ajuda psicológica, disponibilizada pelo poder público, mediante a liberação de verbas governamentais. Ademais, deve haver o interesse das ONGs em criar um aplicativo para servir de apoio aos indivíduos depressivos, para que relatem os problemas aos quais convivem e obtenham respostas específicas de psicólogos, em parceria com instituições privadas. Assim, tais alternativas tendem a promover o combate à depressão entre jovens do século XXI, para que esse não seja palco de mais um “mal do século”.