O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 09/07/2018
Sob a perspectiva literária do Romantismo, a depressão foi, por muitas vezes, retratada como uma forma de evasão para as dificuldades enfrentadas no convívio social de forma romantizada. Todavia, no contexto hodierno, é progressivamente destacável o aumento do índice de jovens depressivos, devido à fatores sociais e governamentais. Esse panorama aflitivo demanda uma atuação convergente entre estratos da administração pública e do corpo civil em prol de mitigar a ocorrência dessa enfermidade.
Efetivamente, a existência de um paradigma cultural deturpado no tocante à depressão e suas implicações impede o enfrentamento dessa patologia entre o corpo juvenil. A esse respeito, Michel Foucault – ilustre filósofo francês – teoriza o fato de que a sociedade tende a silenciar assuntos que causam desconforto, considerando-os “temas-tabus”. Nesse contexto, observa-se que o senso comum impõe um panorama no qual a depressão é considerada uma pseudo-doença, marcada por esteriótipos, devido à falta de diálogo sobre esse distúrbio mental tanto no ambiente familiar como nas instituições de ensino. Essa falta de discussão acerca do assunto desconsidera a saúde dos jovens, privando-os de bem-estar e qualidade de vida, o que representa, de fato, a teoria foucaltiana na prática.
Ademais, o Governo Federal se mostra negligente com o aumento dos índices de depressão entre os jovens. Embora o Estatuto da Criança e do Adolescente – Eca – determine que a saúde dessa parcela da população se trata de um dever comum da sociedade em geral e do Poder Público, o Brasil está longe de apresentar ações que façam jus ao ordenamento jurídico, haja vista que não há campanhas que explicitem os sintomas relativos à doença, bem como faltam atendimento profissional para os infantes e investimentos em pesquisas que contribuam para avanços no diagnóstico, cura e prevenção dessa patologia. Com efeito, o descaso estatal com o bem-estar dos jovens atesta o atraso brasileiro no que concerne ao tratamento da depressão como uma questão de saúde pública.
Portanto, para evitar que mais brasileiros representem a narrativa da Literatura romântica no cenário hodierno, compete primordialmente às famílias e às escolas promover amplos debates acerca da depressão, a partir, respectivamente, de diálogos mais frequentes nos lares e de simpósios ou peças teatrais estudantis os quais explicitem a necessidade de diálogo sobre esse distúrbio mental, utilizando ainda a distribuição de livros socioeducativos elaborados por psicólogos e demais especialistas, no fito de desconstruir qualquer esteriótipo e favorecer o empenho social em prol de minorar tal patologia. Outrossim, cumpre à União, por meio de realocação orçamentária no Ministério da Saúde, intensificar investimentos no SUS, que possibilitem a construção de clínicas populares para os que necessitem de acompanhamento, a fim de mitigar a ocorrência dessa doença entre os jovens no convívio brasileiro.