O aumento da depressão entre os jovens no Brasil
Enviada em 08/07/2018
Definido como o mal do século pela Organização Mundial de Saúde, a depressão - doença que pode afetar os pensamentos, comportamento, sentimentos e o bem-estar da pessoa - tem atingido cada vez mais os jovens na sociedade brasileira. Conforme a OMS, entre os países da América Latina, o Brasil é o que possui maior número de pessoas em depressão. Dessa forma, é importante mencionar como a ansiedade pelo futuro e o individualismo têm contribuído com esse problema na população.
De fato, a ansiedade é capaz de afligir o emocional de muitos jovens, seja pela constante preocupação com o futuro ou simplesmente pela pressão social sobre as escolhas individuais desses. Isso acontece porque, numa sociedade capitalista, há o processo de reificação do indivíduo, isso é, valorização dos meios de produção no lugar das relações humanas e sociais. Muitas pessoas, por exemplo, questionam os demais membros da comunidade sobre suas metas e decisões profissionais e pessoas. Por consequência, além das próprias dúvidas e anseios, esses ainda lidam com questionamentos sobre o futuro, podendo até mesmo deixá-los em depressão pelas cobranças.
Ademais, o individualismo ajuda no aumento de casos de depressão entre os jovens. Assim, segundo afirmou o sociólogo Bauman, o individualismo e o egocentrismo fazem com que não vejamos o outro como um ser humano, logo, as relações são superficiais e não duradoras. Dessa forma, sem interação e diálogo entre esses, não há manutenção dos lações afetivos e emocionais, contribuindo para o isolamento social e depressão. Consequentemente, o isolamento faz com que o cidadão não se veja parte da sociedade, causando-lhe sofrimento e sentimentos confusos, podendo até mesmo chegar ao suicídio.
Portanto, fica nítido que medidas devem ser tomadas para o bem emocional da população brasileira. Em razão disso, é fundamental que o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, inclua a disciplina “moral e ética” na grade curricular do ensino fundamental e médio, dessa forma, preparando o cidadão para as relações pessoais e sociais, diminuindo assim o processo de reificação do indivíduo. Por outro lado, é importante que o Ministério da Saúde também participe desse processo junto as escolas, com a criação da semana do “bem-estar estudantil”, com a interação de alunos, parentes e psicólogos, contribuindo para a aproximação familiar e diálogo entre eles, além de incentivar o desabafo dos jovens sobre seus anseios e medos. Dessa forma, com a interação entre a população, profissionais e governo, o Brasil poderá diminuir os casos da depressão na sociedade.