O aumento da depressão entre os jovens no Brasil

Enviada em 09/07/2018

O quadro “O Grito”, do pintor expressionista Edvard Much, externa o desespero interno e conflitos psicológicos do ser humano. A sociedade em geral, todavia, muitas vezes banaliza problemas dessa natureza. Nesse contexto, destaca-se o aumento dos casos de depressão entre jovens no Brasil. Assim, dois fatores devem ser analisados: o modo de vida pós-moderno e o frágil conhecimento da população sobre a enfermidade.

Primeiramente, o estilo de vida contemporâneo corrobora com o aumento da incidência de quadros depressivos. Nessa perspectiva, a rapidez das atividades do cotidiano, com altas cargas de trabalho e estudo, e o individualismo exacerbado diminuem as interações entre o indivíduo, família e amigos. Tal conjuntura caracteriza o que o sociólogo Zigmunt Bauman definiu como a principal característica da sociedade atual: a superficialidade das relações interpessoais. Sendo assim, tal isolacionismo humano pode desencadear esse estado de perturbação em muitos jovens.

Outro ponto crucial é a desinformação a respeito da doença. Essa realidade, infelizmente, contribui para estigmatização e preconceito com pessoas depressivas. Assim, muitos reconhecem o problema como fraqueza pessoal e falta de vontade, não o considerando como um real problema de saúde, condicionado por fatores externos, endocrinológicos e até genéticos. Dessa forma, a não identificação dos sintomas agrava a situação do doente, o que impossibilita que este seja levado a um profissional para realizar o devido tratamento.

Evidencia-se, por conseguinte, que a depressão deve ser vista como um problema de saúde, e não apenas como uma tristeza profunda. Para isso, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, deve promover nas escolas reuniões que envolvam alunos e famílias, nas quais, com a participação de psicólogos e psiquiatras, a gravidade, sintomas, prevenção da doença e a necessidade de se aderir ao devido tratamento psicoterapêutico e farmacológico sejam abordados. Assim, haverá uma desmistificação da temática, e esta não será mais um tabu.